Trump destaca que cumpriu "uma promessa após outra" e ataca a imprensa

Alfonso Fernández.

Washington, 29 abr (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, destacou neste sábado que cumpriu "uma promessa após outra" em seus primeiros cem dias no poder e reiterou seus ataques aos meios de comunicação, a quem criticou por estarem afastados da realidade.

"Meus primeiros cem dias foram muito produtivos (...) Cumprimos uma promessa após outra", disse Trump em um ato em Harrisburg (Pensilvânia), um dos estados-chave de sua vitória eleitoral em novembro do ano passado, já que não escolhia um candidato presidencial republicano desde 1988.

Em um ato com tom de campanha eleitoral mais que de um presidente no cargo, o governante aproveitou que esta noite se realiza em Washington o tradicional jantar de correspondentes da Casa Branca para lançar uma nova onda de ataques à imprensa.

"Não poderia estar mais emocionado de estar a mais de 150 quilômetros do lodaçal de Washington", disse em referência ao fato de que é o primeiro Presidente no cargo que se esquiva do evento na capital, algo que não acontecia há mais de duas décadas.

Durante o discurso, de quase uma hora, Trump rejeitou as críticas feitas sobre os fracassos registrados durante seus primeiros cem dias de mandato, como a negativa do Congresso de aprovar sua reforma da lei da saúde conhecida como "Obamacare" e o bloqueio dos tribunais a sua proibição de entrada temporária nos EUA de viajantes procedentes de sete países de maioria muçulmana.

Neste sentido, enfatizou que "as prioridades da imprensa não são prioridades de vocês" e voltou a destacar que está concentrado "em voltar a fazer os EUA grandes de novo", seu lema de campanha.

"Se o trabalho dos meios é ser honesto e dizer a verdade então acredito que estamos de acordo em que a imprensa merece uma repreensão bem grande", disse perante os aplausos dos quase 10.000 presentes.

Trump reiterou os eixos de sua campanha, como sua vontade de renegociar o Tratado de Livre Comércio de América do Norte (TLCAN) com México e Canadá, e sua polêmica promessa de construir o muro na fronteira sul.

"Não se preocupem, vamos construí-lo", disse sem comentar os obstáculos que enfrenta no Congresso, onde os legisladores mostraram suas reticências a desembolsar fundos para a ampliação do muro existente.

Além disso, anunciou que estará "tomando uma grande decisão sobre o Acordo de Paris nas próximas duas semanas".

"Veremos o que acontece", disse Trump, ao mesmo tempo reiterando seu compromisso para revitalizar a indústria do carvão e do petróleo.

As declarações de Trump foram feitas no mesmo dia de várias marchas em defesa do clima - incluindo uma com milhares de manifestantes em Washington - e contra suas políticas de desregulamentação de leis ambientais nos EUA.

Esta semana, o presidente assinou uma ordem executiva para revisar as proibições impostas por Obama para permitir explorações de petróleo no litoral do país, o que poderia abrir áreas do Ártico e do Golfo do México a novos poços.

Os EUA estão avaliando se se mantêm no Acordo Internacional de Paris sobre mudança climática, que busca uma mudança no modelo de desenvolvimento livre de combustíveis fósseis e foi assinado por seu predecessor Barack Obama.

Trump também se referiu à escalada da tensão com a Coreia do Norte, e defendeu que está trabalhando com a China para solucionar um problema que qualificou de "complicado".

De fato, insistiu em que sua decisão de não designar a China como manipulador de moedas, como tinha prometido, responde à colaboração estreita com Pequim para diminuir o conflito.

Antes do ato, Trump percorreu uma fábrica na região, e assinou uma ordem executiva para a criação de um Escritório Presidencial para a revisão de políticas comerciais e de manufatura.

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