Kuczynski diz que indulto a Fujimori não foi negociação para evitar cassação

  • Mariano Bazo/Reuters

    O atual presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski

    O atual presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski

LIMA - O presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, afirmou neste domingo (14) que o indulto concedido ao ex-presidente do país Alberto Fujimori não foi resultado de uma negociação política para evitar sua cassação, como acusa a oposição e parte de população.

"Não houve negociação com ninguém", disse Kuczynski sobre o caso enquanto percorria a região sul do país, atingida hoje por um terremoto de magnitude 6,8 que deixou um morto e 65 feridos.

Pesquisas indicam que grande parte dos peruanos considera que o indulto foi uma troca de favores políticos entre Kuczynski e o congressista Kenji Fujimori, filho mais novo do ex-presidente.

O indulto foi concedido no dia 24 de dezembro, três dias depois de uma ala do fujimorismo, liderada por Kenji, se abster de votar um pedido de cassação do mandato de Kuczynski no Congresso pelos vínculos do presidente com a construtora Odebrecht.

O ex-presidente Alan García concorda com a maior parte dos cidadãos e afirmou ontem que o indulto foi usado como "moeda de troca" para evitar a cassação de Kuczynski.

Ao falar sobre as manifestações contra o indulto, o presidente se limitou a dizer hoje que o Peru é uma "democracia" e que já defendia o indulto a Fujimori em julho de 2016, quando chegou ao poder.

"Falei sobre esse tema do indulto humanitário várias vezes. No fim, prevaleceu a prisão dos médicos", indicou Kuczynski.

O governo do Peru concedeu um indulto humanitário a Fujimori, de 79 anos e condenado a 25 anos de prisão, para evitar que a situação de saúde do ex-presidente não se agravasse na cadeia.

Kuczynski também não quis falar sobre a audiência de revisão do indulto que será realizada pela Corte Interamericana de Direitos Humanos no próximo dia 2 de fevereiro.

Uma pesquisa do Instituto Ipsos publicada hoje pelo jornal "El Comércio" aponta que o apoio dos peruanos ao indulto caiu de 56% para 53% em duas semanas. Por outro lado, a oposição à medida subiu de 40% para 43%.

Segundo a pesquisa, 40% dos entrevistados considera que o indulto foi concedido por razões políticas. Outros 15% avaliam que a medida foi tomada por critérios humanitários.

O Ipsos também indicou que a aprovação de Kuczynski caiu de 25% de 23% nessas duas semanas. A desaprovação do presidente subiu de 68% para 70% no período.

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