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Venezuela termina ano com sua maior crise e 1 milhão de habitantes a menos

Nicolás Maduro - Maxim Shemetov/Pool Photo via AP
Nicolás Maduro Imagem: Maxim Shemetov/Pool Photo via AP

Nélida Fernández

Caracas

21/12/2018 23h22

A Venezuela termina 2018 imersa na mais grave crise econômica, política e social de sua história; um ano no qual estima-se que mais de 1 milhão de venezuelanos se somaram a outros 2 milhões que já tinham deixado o país e provocaram uma crise migratória na região.

O processo de hiperinflação que começou em outubro de 2017 se manteve durante todo o ano de 2018 para fechar com o índice de preços ao consumidor de pelo menos 2.000.000%, o que deixa os venezuelanos com bolsos vazios e sem esperanças de superar a crise no médio prazo.

Colômbia, Brasil, Equador, Peru, Chile e Argentina são os países que acolheram a maioria dos venezuelanos que saíram a pé da Venezuela, uma situação que pegou esses países desprevenidos e os obrigou a pedir ajuda a organizações internacionais para atender à chegada maciça de imigrantes.

Segundo estimativas da ONU, o número de refugiados e imigrantes venezuelanos no mundo alcançou os 3 milhões.

Apesar dessas evidências, o governo de Nicolás Maduro negou a migração em massa e, após assinalar que se trata de algumas centenas, habilitou aviões para que retornem ao país os venezuelanos que assim desejarem.

Além disso, Maduro acusou os Estados Unidos, países aliados do "império", e os empresários venezuelanos, de fazerem uma "guerra econômica" contra a Venezuela ao aumentarem os preços dos produtos de forma desproporcional e de esconderem os alimentos para promover protestos e uma intervenção internacional.

Eleições feita às pressas foram boicotadas

Apesar de 2018 ter começado com ventos contrários ao governo, com o fracasso de um novo diálogo político e a maioria das pesquisas rebaixando sua popularidade para cerca de 20%, a Assembleia Nacional Constituinte - formada por parlamentares governistas e não reconhecida por vários governos do mundo - convocou o pleito presidencial.

Maduro obteve a vitória em eleições questionadas nas quais os principais líderes da oposição não participaram por estarem inabilitados e na qual a maioria dos partidos antichavistas não concorreram por considerá-las fraudulentas, o que se repetiu nas votações municipais.

O presidente obteve 5.823.728 votos, com uma participação de 8,6 milhões de eleitores dos mais de 20 milhões que estavam aptos a votar, o que supôs a maior abstenção da história venezuelana.

Devido a essas circunstâncias, amplamente denunciadas pela coalizão opositora, foram muitos os países que não reconheceram Maduro como chefe de Estado neste novo período presidencial que começará em 10 de janeiro.

Esse foi o caso de Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Guiana, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru, Santa Lúcia, Estados Unidos e de alguns países europeus.

Este ano foram registradas manifestações constantes em toda a Venezuela, palco de mais de 30 protestos diários pela perda de direitos trabalhistas, falta de remédios, alimentos e serviços básicos como eletricidade, água e gás.

Esses protestos se mantiveram e, inclusive, cresceram depois que o governo iniciou, no dia 20 de agosto, um pacote de medidas econômicas dentro do chamado Plano de Recuperação Econômica.

O pacote, que incluiu a multiplicação por 35 do salário mínimo e uma reconversão monetária para desvalorizar o bolívar, causou, segundo a organização patronal Fedecámaras, o fechamento de uma infinidade de empresas que não puderam custear esse aumento e, por conseguinte, houve perda de muitos empregos.

No meio desse caos, a oposição política se mostrou mais enfraquecida do que nunca, não só pela aparente divisão entre suas lideranças, mas também pela prisão, ordens de prisão e, inclusive, a morte de alguns líderes.

Em 4 de agosto, durante um ato com militares, Maduro sofreu um atentado com drones do qual saiu ileso e que levou à detenção do deputado Juan Requesens e do vereador Fernando Albán.

Requesens segue detido enquanto seus advogados garantem que seu direito de defesa foi violado e Albán faleceu quando estava sob custódia do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin), que garantiu que o dirigente se suicidou ao se atirar do 10º andar da sede do órgão de segurança em Caracas. 

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