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Manifestantes levantam bloqueio em Cali; indígenas abrem corredor humanitário

Militares patrulham um posto de gasolina antes de possíveis protestos, em Cali, Colômbia - Juan B Diaz/Reuters
Militares patrulham um posto de gasolina antes de possíveis protestos, em Cali, Colômbia Imagem: Juan B Diaz/Reuters

10/05/2021 16h28

Os manifestantes e as autoridades locais de Cali chegaram a um acordo nesta segunda-feira cedo para levantar um bloqueio na principal via de entrada da cidade colombiana, enquanto os indígenas que participam dos protestos anunciaram a abertura de um corredor humanitário durante 24 horas.

No 13º dia de protestos, precedido por um dia em que civis armados dispararam contra a marcha indígena e feriram 10 pessoas, as conversas terminaram com a decisão de desbloquear o Paso del Comercio, uma estrada que, além de ser a entrada principal da cidade, também a conecta com a vizinha Palmira, onde se encontra o aeroporto internacional.

"A ponte vai ser desbloqueada e deve haver uma garantia da institucionalidade de que não haverá nenhuma ação violenta contra estes jovens que vão desbloqueá-la", disse o prefeito de Cali, Jorge Ivan Ospina, em um pronunciamento ao lado de um grupo de jovens que protestam ali há 13 dias.

As autoridades e os manifestantes assinaram o acordo após negociações que foram apoiadas pelas embaixadas de Alemanha, Bélgica, Espanha, Portugal e da União Europeia, bem como pela Missão da ONU na Colômbia.

"Observamos a assinatura do acordo pelo gabinete do prefeito de Cali e autoridades locais com jovens para o desbloqueio do Paso del Comercio. É importante utilizar o diálogo para avançar na garantia dos direitos humanos", disse a representante na Colômbia da Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Juliette de Rivero.

As mobilizações na Colômbia começaram contra a já retirada proposta de reforma fiscal do governo, mas continuam contra uma tentativa de reforma sanitária, a brutalidade policial e a complexa situação de insegurança.

Cali é o cenário dos incidentes mais violentos, especialmente entre 30 de abril e 3 de maio, com episódios de brutalidade policial contra manifestantes que deixaram 35 mortos, de acordo com organizações sociais.

Corredor humanitário

Por sua vez lado, o Conselho Indígena Regional do Cauca (CRIC), a principal autoridade destas comunidades do sudoeste da Colômbia, anunciou que desde a madrugada de hoje foi permitido um "corredor humanitário" para o transporte de alimentos e medicamentos em Cali, que enfrenta cada vez mais dificuldades devido à escassez.

"Anunciamos que este corredor estará aberto durante 24 horas. Dependendo do comportamento, será prolongado, mas a marcha nacional continua, a greve nacional continua", ressaltou o conselheiro sênior do CRIC, Hermes Pete.

O líder indígena acrescentou que é necessário garantir "a não intervenção das forças públicas nos pontos onde se encontram os manifestantes da marcha", especialmente depois do que aconteceu na tarde de domingo.

"Haverá um corredor humanitário durante 24 horas. Este é um primeiro passo para garantir os direitos de todas as pessoas. Pedimos às autoridades que dêem prioridade ao diálogo com os indígenas (...) Através do diálogo, os direitos humanos devem ser protegidos", declarou, por sua parte, De Rivero.

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