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Dos passinhos aos negócios, funk movimenta a economia

A dancinha da música "Desenrola, bate, joga de ladin", do grupo carioca Os Hawaianos, virou febre no TikTok - JP Maia/Divulgação
A dancinha da música 'Desenrola, bate, joga de ladin', do grupo carioca Os Hawaianos, virou febre no TikTok Imagem: JP Maia/Divulgação

Do Núcleo de Diversidade

24/05/2022 10h00

Esta é a versão online da edição desta terça-feira (24/05) da newsletter Nós Negros, que hoje discute a importância do funk e sua cultura como oportunidade de negócio para muitos, além de uma seleção de opiniões que falam de violência na política até o casamento do ex-presidente Lula. Para se cadastrar e receber este boletim, acesse aqui. Para receber outros boletins exclusivos, assine o UOL.

'Desenrola, bate, joga de ladin'. A canção, que é fenômeno no TikTok, marca o retorno triunfal dos funkeiros Os Hawaianos. O hit ocupa o 12º lugar entre as mais ouvidas do país no Spotify e já conta mais de 37 milhões de visualizações no YouTube. O autor da faixa é o funkeiro Ewerton Chagas, o Tonzão. Além dele, Yuri, Gugu e Dioguinho formavam o grupo que se originou na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro.

Nós somos um grupo de homens negros e favelados, então queremos levar esses debates para as comunidades. Nenhuma forma de preconceito pode ser aceita e também estamos nessa luta."
Ewerton Chagas, o Tonzão

O funk também é uma oportunidade de negócios para muita gente e, como apontou o DJ, empresário e produtor, Rennan da Penha, precisa de mais investimento. "Os bares montados na rua [dos bailes] sustentam famílias", disse, durante sua participação no Botequim da Teresa.

E quem tem aproveitado o mercado do funk de forma inusitada é o jovem Eduardo André de Oliveira, 24. Ele abriu uma oficina, a Mizuneira, e tem dado vida nova a pares de tênis surrados, destruídos pelo tempo e dias de baile funk na rua.

Passei a ensinar porque eu não vou conseguir arrumar todos os Mizunos do mundo. Como não consigo dar conta e o Brasil é carente na parte de emprego, a gente tem que gerar trabalho. O meu ganha-pão se tornou o ganha-pão de outras pessoas."
Eduardo André de Oliveira, da Mizuneira

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INTOLERÂNCIA RELIGIOSA... Durante um evento oficial do aniversário de Itaboraí (RJ), o pastor Felippe Valadão atacou as religiões de matriz africana: "Se prepara para ver muito centro de umbanda sendo fechado pela cidade", disse. Em nota, a Polícia Civil do Rio informou que o fato foi comunicado na 71ª DP e todos os envolvidos serão chamados para prestar depoimento.

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NEGÓCIOS... Ao perceber que na lógica tradicional das empresas, muitas vezes, não há humanidade e oportunidades iguais para todos, Dina Prates, 30, começou a pensar em alternativas para avançar na carreira. Atualmente ela tem duas empresas, a Dina Preta Finanças e o Instituto Estrela Preta e dá dicas para quem quer abrir um negócio.

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DANDO A LETRA

Elânia - Reprodução - Reprodução
Elânia Francisca
Imagem: Reprodução

Exercitar o uso de palavras como escurecer, num contexto positivo, contribui para que pessoas negras construam um referencial antirracista sobre sua estética e a de seu povo".
Elânia Francisca, psicóloga

Em VivaBem, Elânia Francisca orienta como exercitar as palavras traz uma perspectiva antirracista, e Alexandre da Silva analisa quando o assunto trabalho é um problema na velhice.

Em TAB, Michel Alcoforado fala sobre o casamento de Lula e como amor e política entram em jogo em 2022.

Em Universa, Juliana Borges também fala sobre o casamento do ex-presidente, e Ana Paula Xongani pontua que a volta dos festivais é uma excelente oportunidade para ateliês de moda.

Em Notícias, Jeferson Tenório aponta que a recusa ao identitarismo é o novo racismo à brasileira, e André Santana fala sobre site que responde falas preconceituosas de Bolsonaro contra comunidade LGBTQIA+.

Em Ecoa, Dona Jacira traz a sabedoria popular que vai da barra da saia do segredo ao commodity, e Anielle Franco defende que precisamos de uma campanha para enfrentar a violência política nas eleições.

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PEGA A VISÃO

Monica Seixas - Reprodução/Instagram @monicaseixas - Reprodução/Instagram @monicaseixas
A deputada estadual pelo PSOL-SP Monica Seixas
Imagem: Reprodução/Instagram @monicaseixas

"O que está acontecendo no maior Parlamento da América Latina é muito sério. Parece que ao mesmo tempo que mais mulheres vão entrando na Casa, os homens reagem com muita violência e brutalidade. Estamos sendo torturadas por estarmos combatendo a violência de gênero".
Monica Seixas, deputada estadual (PSOL-SP)

A deputada estadual Monica Seixas (PSOL-SP) denuncia as violências políticas de gênero pelas quais ela e as colegas mulheres passam no exercício de seus mandatos. As agressões, segunda a deputada, acontecem com mais frequência contra as jovens parlamentares, as negras e as pessoas trans.

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SELO PLURAL

Papo Preto - Arte/UOL - Arte/UOL
Podcast Papo Preto 2022
Imagem: Arte/UOL

No episódio 79 de Papo Preto, a instrumentista, cantora e compositora mineira, Nath Rodrigues defende que "Os negros não estão mais no lugar de falar só de dor". Neste mês de maio ela lançou o seu segundo trabalho solo cheio de referências da música popular brasileira e da cultura afro brasileira.