Guillain-Barré aumenta em 5 países latinos; ligação com zika ainda não está provada, diz OMS

Stephanie Nebehay

GENEBRA (Reuters) - Um distúrbio neurológico que pode ter ligação com o Zika vírus tem apresentado cada vez mais casos no Brasil, Colômbia, El Salvador, Suriname e Venezuela, afirmou neste sábado (13) a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A Síndrome de Guillain-Barré, um ataque do sistema imunológico a parte do sistema nervoso, causa fraqueza gradual nas pernas, braços e no tronco. Em alguns casos, a doença pode levar à total paralisia.

"No contexto da epidemia do Zika vírus, Brasil, Colômbia, El Salvador, Suriname e Venezuela reportaram um aumento dos casos de SGB (Síndrome de Guillain-Barré)", informou a OMS em um relatório semanal sobre o vírus zika, que agora está disseminado em 34 países, sendo 26 nas Américas.

"A causa do aumento da incidência de SGB observado no Brasil, Colômbia, El Salvador e no Suriname ainda é desconhecida, mas a dengue, a chikungunya e o Zika estão circulando simultaneamente nas Américas", acrescentou o relatório.

A OMS afirmou que as pesquisas para determinar o porquê do aumento de casos continuam, mas lembrou que não há confirmação laboratorial de presença do Zika vírus em pacientes com a síndrome na Colômbia e em El Salvador.

A Venezuela reportou 252 casos de Síndrome de Guillain-Barré ocorridos simultaneamente e no mesmo lugar de infecções do vírus Zika, informa o relatório. "A infecção com Zika foi confirmada em três dos casos de SGB, incluindo um caso fatal."

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, disse na quinta-feira que três pessoas morreram de complicações do vírus Zika e que o número de casos suspeitos subiu para 5.221.

Mesmo nas melhores condições, de 3% a 5% dos pacientes com a síndrome de Guillain-Barré morrem em decorrência de complicações da doença, que incluem paralisia dos músculos que controlam a respiração, infecção sanguínea, coágulos pulmonares e parada cardíaca, de acordo com a OMS.

Na Polinésia Francesa, todos os 42 casos da síndrome identificados durante a epidemia de Zika de 2013 e 2014 testaram positivo para dengue e Zika, disse a OMS.

Não há ligação provada entre o vírus Zika, a microcefalia e a Síndrome de Guillain-Barré, mas a especialista da OMS Marie-Paule Kieny disse na sexta-feira que as suspeitas dos cientistas podem ser confirmadas dentro de semanas.

Brasil tornou o zika vírus uma preocupação mundial

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