Ataque dos EUA com drone que matou líder Taleban viola soberania, diz Paquistão

  • Abdul Salam Khan/AP

CABUL/WASHINGTON (Reuters) - O Paquistão acusou neste domingo os Estados Unidos de violar a sua soberania com um ataque de drones contra o líder do Taleban afegão em uma área remota da fronteira dentro do Paquistão.

O Afeganistão disse que o ataque matou o mulá Akhtar Mansour. Mas um passaporte paquistanês encontrado no local tem o nome de Wali Muhammad e acredita-se que o titular do passaporte viajou do Irã para o Paquistão no dia do ataque, de acordo com o Ministério do Exterior paquistanês.

A morte de Mansour poderia desencadear uma batalha de sucessão e aprofundar as fraturas que surgiram no movimento insurgente após a morte de seu fundador, mulá Mohammad Omar, confirmada em 2015, mais de dois anos depois de ter ocorrido.

O ataque por drone de sábado, que segundo autoridades norte-americanas teve autorização do presidente Barack Obama e incluiu vários drones, mostrou que os EUA estavam preparados para ir atrás da liderança do Taleban no Paquistão, acusado repetidamente pelo governo em Cabul de abrigar os insurgentes.

Mas o Paquistão protestou no domingo, dizendo que o governo dos EUA não informou o primeiro-ministro Nawaz Sharif de antemão.

"Esta é uma violação da soberania do Paquistão", disse Sharif a jornalistas em Londres.

Uma autoridade dos EUA, falando sob condição de anonimato, reconheceu que Washington notificou o Paquistão apenas depois do ataque.

O líder do governo afegão, Abdullah Abdullah, e a agência de inteligência superior do país disseram que o ataque foi bem sucedido.

"O líder taleban Akhtar Mansour foi morto em um ataque de drones... O carro dele foi atacado em Dahl Bandin," Abdullah disse em um post no Twitter, referindo-se a um distrito na província de Baluchistan do Paquistão perto da fronteira com o Afeganistão.

O Ministério do Exterior paquistanês não comentou diretamente sobre a possibilidade de Mansour ter viajado usando outro nome. Fotos do passaporte de Wali Muhammad encontrado no local, visto pela Reuters, mostram uma semelhança com fotos antigas de Mansour. O Ministério disse que o passaporte tinha um visto iraniano válido.

(Por Mirwais Harooni e Phil Stewart)

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