Bernie Sanders é vaiado por seus apoiadores ao pedir votos para Hillary Clinton

John Whitesides e Jonathan Allen

Na Filadélfia

  • Spencer Platt/Getty Images/AFP

Bernie Sanders exortou seus apoiadores nesta segunda-feira (25) a apoiarem sua ex-rival democrata Hillary Clinton na corrida pela Casa Branca, atraindo vaias e gritos de "Queremos Bernie", em uma exibição de divisão no início da Convenção Nacional Democrata.

As vaias enfatizaram a revolta profunda que seus delegados sentem tanto pela indicação de Hillary quanto pelos e-mails constrangedores vazados na sexta-feira, que dão a entender que a liderança do partido trabalhou para sabotar a campanha de Sanders pela nomeação presidencial.

Debbie Wasserman Schultz renunciou à presidência da legenda no domingo, um dia antes do início da convenção na Filadélfia na qual a ex-secretária de Estado dos Estados Unidos será indicada formalmente para concorrer à eleição de 8 de novembro, e nesta segunda-feira se curvou à pressão e concordou em não abrir o encontro.

Discursando a seus apoiadores, Sanders criticou duramente o candidato presidencial republicano Donald Trump, que classificou como um perigo para o futuro do país, que "precisa ser defendido", mas alguns presentes o vaiaram quando ele disse "temos que eleger Hillary Clinton" e seu vice de chapa, o senador Tim Kaine, do Estado da Virgínia.

Sanders, senador de Vermont, tentou acalmá-los. "Irmãos e irmãs, este é o mundo real no qual vivemos", disse, acrescentando: "Trump é um valentão e um demagogo".

Integrantes da plateia começaram a reagir gritando "Hillary também é".

"Ela roubou a eleição!", alguém gritou.

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O vazamento de mais de 19 mil e-mails do Comitê Nacional Democrata na sexta-feira realizado pelo site WikiLeaks trouxe de volta à baila a campanha fracassada de Sanders pela conquista da indicação democrata, e em particular suas queixas de que o establishment do partido trabalhou para miná-lo.

Sanders, que se intitula um socialista democrático, protagonizou uma disputa inesperadamente apertada com a ex-primeira-dama, estimulando eleitores jovens e liberais com seus clamores para conter Wall Street e erradicar a desigualdade de renda.

Também nesta segunda-feira, Sanders foi o mais aplaudido quando observou que Wasserman Schultz, deputada da Flórida, renunciou à chefia do Comitê Nacional Democrata por causa da polêmica dos e-mails.

"Sua renúncia cria a possibilidade de uma nova liderança no topo do Partido Democrata", afirmou Sanders, acrescentando que a liderança deveria ser composta de "pessoas que querem mudanças reais".

A renúncia de Wasserman Schultz entra em vigor ao final da convenção, mas já na segunda-feira ela disse ao jornal Sun Sentinel da Flórida que não irá discursar na abertura da reunião na tarde desta segunda-feira, tal como planejado.

A controvérsia das mensagens eletrônicas está sendo um prelúdio embaraçoso para a convenção, que autoridades democratas esperavam ser uma mostra de competência e sobriedade em contraponto à convenção republicana caótica da semana passada.

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