Processo de impeachment

Dilma lamenta escolha de Temer como vice e diz ter pensado que ele representava "centro progressista"

Lisandra Paraguassu

Em Brasília

A presidente afastada Dilma Rousseff lamentou nesta segunda-feira (29) ter o presidente interino Michel Temer como vice em sua chapa eleitoral e disse ter acreditado que ele representava o "centro democrático progressista" do país. Dilma também falou que jamais governará de novo com o "PMDB do mal", referindo-se também ao deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Depois de mais de 12 horas de depoimento no Senado, Dilma falou diretamente pela primeira vez de Temer e do PMDB ao ser questionada, em sequência, pelos senadores Telmário Mota (PDT-RR) e Cristovam Buarque (PPS-DF) sobre com quem irá governar caso vença a votação do impeachment e por que escolhera Temer como seu companheiro de chapa.

"Foi escolhido para ser meu vice porque supúnhamos que era integrante desse centro democrático progressista e transformador. Nós acreditávamos que ele representava o que havia de melhor no PMDB. Eu não sei quando isso começou a mudar, mas o certo é que começou a mudar", afirmou a presidente afastada.

"PMDB do mal"

Dilma lembrou conversa gravada do senador Romero Jucá (PMDB-RR), um dos braços direitos de Temer, em que ele diz que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), não gosta de Michel Temer "porque o Michel é Eduardo Cunha".

"O centro deixa de ser um centro progressista para ser golpista e conspirador", acusou Dilma.

Ao responder Telmário Mota --que dividiu o PMDB entre uma ala "do bem" e outra, "do mal", Dilma disse que "Deus me livre" do "PMDB do Mal".

"O Brasil sempre teve um centro democrático e teve dentro dele um conjunto de lideranças progressistas. Lamento que nos últimos tempos essa liderança se transmudou em uma liderança ultra conservadora, ultra fundamentalista que não tinha parâmetros éticos. Com esse PMDB eu jamais governarei ou conviverei", garantiu.

Dilma destacou lideranças do PMDB que, reconheceu, sempre lutaram pela democracia e disse que não se pode esquecer esse papel do partido. "Mas esse centro democrático passa a ter pessoas do tipo de Eduardo Cunha e seus aliados", afirmou.

Um dos últimos a falar, o senador Zezé Perrela (PDT-MG), questionou as falas da presidente afastada de que o governo Temer não seria legítimo porque não foi eleito. Perrela afirmou que os votos recebidos por Dilma foram dados também a Temer, seu companheiro de chapa.

"Os votos não são do senhor Michel Temer. Os votos foram conquistados por mim", reagiu a petista.

 

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