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Coronavírus

Sem ministro da Saúde, Brasil vê coronavírus chegar a 70% dos municípios

28.mai.2020 - Enterro de vítimas de coronavírus no Cemitério do Cajú (São Francisco Xavier) no Rio de Janeiro - Saulo Angelo/Futura Press/Estadão Conteúdo
28.mai.2020 - Enterro de vítimas de coronavírus no Cemitério do Cajú (São Francisco Xavier) no Rio de Janeiro Imagem: Saulo Angelo/Futura Press/Estadão Conteúdo

29/05/2020 19h15Atualizada em 29/05/2020 20h02

O surto do novo coronavírus se espalhou por todas as regiões do país e chegou a 70,7% dos municípios do Brasil, com casos de covid-19 confirmados em quase 4 mil municípios. Enquanto isso, o Ministério da Saúde permanece com um general como chefe interino e sem um comandante para a Secretaria de Vigilância em Saúde, responsável pelo enfrentamento à pandemia.

O coronavírus, que já deixou mais de 27 mil mortos no Brasil, avançou de 297 municípios em 28 de março para 3.936 em 28 de maio, segundo informado pelo Ministério da Saúde em boletim, ressaltando a interiorização da doença.

O Nordeste passou a ser a região com maior número de municípios com casos confirmados de covid-19, ultrapassando o Sudeste, primeiro local afetado pelo vírus no País. De acordo com o ministério, 1.489 municípios nordestinos já registraram caso de covid-19, ante 1.101 no Sudeste.

Apesar de muitas capitais brasileiras estarem com seus sistemas de saúde à beira do esgotamento devido ao avanço do coronavírus, o ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, afirmou nesta semana que as grandes cidades precisarão prestar atendimento a pacientes de municípios menores que buscarão ajuda, uma vez que no interior "não há estruturas".

Mesmo com o avanço da doença pelo território, Pazuello não concedeu entrevista ao longo de toda semana.

Depois que o secretário Wanderson Oliveira pediu demissão da Secretaria de Vigilância em Saúde na sequência de duas trocas no comando do ministério em menos de um mês, coube ao secretário substituto, Eduardo Macário, prestar esclarecimentos técnicos sobre a pandemia hoje.

"A interiorização é um fenômeno real que a gente tem observado em termos de transmissão, então o SUS [Sistema Único de Saúde] tem que estar bastante preparado para toda essa situação que virá e que vem se desenhando, na medida em que o principal objetivo é salvar vidas", afirmou Macário. O cargo de secretário de Vigilância em Saúde está vago desde a saída de Wanderson.

Pazuello assumiu o ministério de forma interina em 15 de maio, após Nelson Teich se tornar o segundo ministro a deixar o cargo em menos de mês.

Assim como Luiz Henrique Mandetta, Teich deixou o cargo por discordar do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) com relação ao enfrentamento à covid-19. O presidente é contra as medidas de distanciamento social e defende o uso ampliado da hidroxicloroquina, apesar da falta de comprovação científica sobre sua eficácia.

O ministério também atualizou a situação da testagem no Brasil, informando que até o momento foram analisados 488.802 dos 4,7 milhões de exames recebidos pelo governo federal. No total, o governo prometeu realizar 24 milhões de testes desse tipo neste ano — número ainda distante de ser alcançado.

Somando os testes realizados nos cinco maiores laboratórios privados de análises clínicas do País, o Brasil tem no total 930.013 exames de covid-19 realizados, informou o ministério.

Apesar de ser o segundo país do mundo com mais casos confirmados da covid-19, depois apenas dos Estados Unidos, o Brasil fica atrás de vários países em termos de testes realizados. Os laboratórios certificados da Alemanha, por exemplo, tinham capacidade de analisar cerca de 838 mil testes por semana em meados de maio.

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