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Baixo Clero

A jornalista Carla Bigatto conduz com analistas um papo sobre temas que dominam a pauta política.


Baixo Clero #76: Amoêdo: Não sou pré-candidato e vejo Moro com bons olhos

Colaboração para o UOL, em São Paulo

11/03/2021 21h07Atualizada em 12/03/2021 20h04

Logo no início do Baixo Clero #76, João Amoêdo, fundador do Partido Novo, diz que não é pré-candidato às eleições de 2022. No programa, com apresentação de Carla Bigatto e presença dos colunistas Diogo Schelp e Maria Carolina Trevisan, ele fala em viabilizar um nome "na terceira via", querendo fugir de Jair Bolsonaro (sem partido) e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que recentemente retomou direito a se candidatar.

A vontade de Amoêdo, conforme ele explica durante a conversa, é a de construir um nome forte do centro. Para ele, a "polarização entre PT e Bolsonaro fizeram mal para o país", assim como o discurso populista do atual presidente e de Lula. Para combater os dois e o que ele chama de velha política, aposta em novidades.

Alguns nomes aparecem na entrevista, como o do ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro, que conta com a sua aprovação. "É um nome que vejo com bons olhos, tem condição e é uma pessoa que contribuiu ao Brasil, especialmente no combate à corrupção", definiu Amoêdo (veja a partir de 16:05 no vídeo acima).

A conversa muda sobre considerá-lo automaticamente um aliado na próxima eleição. Amoêdo explica que é preciso conversar antes de formar uma chapa e entende ser fundamental conhecer as ideias do ex-juiz. Diz ainda não ter havido uma ação neste sentido.

"Tenho uma impressão de homem público muito boa do Moro, mas não sei exatamente quais as linhas de pensamento [dele] sobre alguns temas", salientou, em relação à necessidade de convergirem nas propostas em caso de um eventual apoio (veja a partir de 15:36 no vídeo acima).

Amoêdo também analisou o nome do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta. Ele o considera "uma pessoa que trabalha para o Brasil melhorar".

Sem dar pistas de qual caminho deve seguir, defende que o centro precisa definir o nome do presidenciável ainda em 2021. O fato de o PT e de Bolsonaro "não admitirem erros", para ele, são prova de que "voltarão a errar". Por isso, considera necessário fortalecer uma outra opção desde já.

"O meu grande receio é que empurremos o Brasil mais uma década para o atraso, como temos visto nos últimos anos", afirma (veja a partir de 24:55 no vídeo acima), considerando que "poucas pessoas estão dispostas" a se candidatarem pela exposição que é ter uma vida no mundo político. "O Novo enfrenta essa necessidade de mudança" (veja a partir de 26:45 no vídeo acima).

Frigideira da semana

Tradicional quadro do Baixo Clero, a frigideira deu um descanso para o presidente Jair Bolsonaro nesta semana. Presente nos últimos programas, o presidente cedeu lugar para dois ministros: um do seu governo e outro do STF (Supremo Tribunal Federal).

A colunista Maria Carolina Trevisan optou por fritar Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores de Bolsonaro. Araújo acumulou um alerta para usar máscara em viagem a Israel e ainda discutiu nas redes sociais com Gilmar Mendes, do Supremo.

"Escolho o chanceler Ernesto Araújo pela demonstração de nenhuma habilidade em Israel. Foi chamado à atenção para usar máscara em outro país. Ele que não a usa no Brasil", afirma a jornalista (veja a partir de 54:40 no vídeo acima), citando que ele não pôde conhecer o spray nasal citado como tratamento experimental contra a covid por ter ficado confinado no hotel.

Além disso, discutiu em inglês com Gilmar Mendes após dizer que o STF proibira o governo federal de agir contra a pandemia. "E ainda temos problema de cooperação internacional. O Brasil está cada vez mais fora da cooperação por conta da atuação do ministro Ernesto Araújo", diz (veja a partir de 55:40 no vídeo acima).

Diogo Schelp manteve o STF no assunto, mas para escolher o ministro Edson Fachin para ir à frigideira por anular os processos e condenações do ex-presidente Lula na Lava Jato.

"Com a decisão, Fachin desenterrou um habeas corpus que deveria ter sido decidido muito tempo antes, há cinco anos, quando Lula se tornou réu", afirma (veja a partir de 56:05 no vídeo acima), reafirmando o impacto político da volta do ex-presidente ao páreo eleitoral. "Não estou dizendo que Lula foi injustiçado, estou dizendo que a decisão de Fachin veio no momento errado", afirma.

"Caso ele tenha tomado a decisão para defender a Lava Jato, o tiro saiu pela culatra. Agora o que estamos vendo é que a Lava Jato, que revelou o maior escândalo de corrupção do país, corre o risco de ser totalmente destruída", pontua. "Foi uma decisão com impactos tremendos."

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