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Após cartuns sobre Maomé, França fechará 20 embaixadas; site de revista é bloqueado

Capa da revista francesa "Charlie Hebdo", que traz cartuns satirizando Maomé - Thomas Coex/AFP
Capa da revista francesa "Charlie Hebdo", que traz cartuns satirizando Maomé Imagem: Thomas Coex/AFP

Do UOL, em São Paulo

19/09/2012 09h04Atualizada em 19/09/2012 15h18

A França anunciou nesta quarta-feira (19) que fechará temporariamente suas embaixadas e escolas em 20 países na sexta-feira depois que uma revista francesa publicou cartuns com o profeta Maomé. O governo teme que os cartuns inflamem ainda mais os ânimos, já acirrados após a divulgação na Internet de um filme ridicularizando o profeta.

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"Nós na realidade decidimos, como medida de precaução, fechar nossas instalações, embaixadas, consulados, centros culturais e escolas", disse um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, anunciando  o fechamento desses locais.

Os cartuns foram publicados na revista “Charlie Hebdo” e fazem uma sátira contextualizando os atuais protestos dos muçulmanos desencadeados após a divulgação do filme “A Inocência dos Muçulmanos", no qual Maomé é retratado como assassino e explorador de menores, entre outros. Invadido por hackers após a divulgação dos cartuns, o site da revista foi bloqueado.  

O diretor da revista, Stephane Charbonnier, disse que a publicação não tem a intenção de “colocar mais fogo” nos protestos, “mas de usar a liberdade de expressão para comentar o noticiário de uma forma satírica”.

"Acontece que a notícia desta semana é Maomé e esse filme ruim, por isso estamos desenhando cartuns sobre o tema”, disse ele à CNN.

“O objetivo é de rir”, declarou o jornalista da revista Laurent Leger. “Queremos rir dos extremistas, todos os extremistas. Eles podem ser muçulmanos, judeus, católicos. Todo mundo pode ser religioso, mas os pensamentos e atos extremistas nós não podemos aceitar", completou ele.

O ministro das Relações Exteriores francês, Laurent Fabius, afirmou ainda que na França "a regra é a liberdade de expressão" e lembrou que esta tem seus limites "nas decisões dos tribunais" e que não vai tolerar "provocações". No entanto, ele afirmou que se as pessoas se sentirem ofendidas e considerarem que o direito foi ultrapassado, podem apelar aos tribunais.

O primeiro-ministro francês, Jean-Marc Ayrault, em discurso similar ao de Fabius, pediu responsabilidade dos meios de comunicação e anunciou que vai negar a permissão para uma manifestação de protesto pelo vídeo sobre Maomé no país.

Em 2005, a publicação de caricaturas de Maomé por um jornal dinamarquês provocou uma onda de protestos no mundo muçulmano.

Protestos 

As manifestações contra o filme entram hoje no oitavo dia e já atingiram mais de 20 países. Pelo menos 30 pessoas morreram nos protestos, incluindo 12 em um atentado suicida executado na terça-feira no Afeganistão por uma mulher.

Ontem (18), a promotoria-geral do Egito anunciou o indiciamento de sete egípcios coptas que vivem nos Estados Unidos por terem participado na produção ou distribuição do filme. 

Os sete coptas - Adel Riad, Morris Sadek, Nabil Bissada, Esmat Zaklama, Elia Bassily, Ihab Yaacoub e Jack Atallah - foram acusados de "insultar a religião muçulmana, insultar o profeta e incitar a conflitos sectários". (*Com Reuters e AFP)