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Países continuam em alerta enquanto Coreia do Norte celebra primeiro ano de líder no poder

Coréia do Norte vai organizar maratona em homenagem ao líder Kim Jong-Un - AFP PHOTO/JUNG YEON-JE
Coréia do Norte vai organizar maratona em homenagem ao líder Kim Jong-Un Imagem: AFP PHOTO/JUNG YEON-JE

Do UOL, em São Paulo

11/04/2013 07h49

A Coreia do Norte comemora nesta quinta-feira (11) o primeiro aniversário de Kim Jong-un, cuja idade é incerta - pode ser 30 ou 31 anos -, como líder do Partido dos Trabalhadores. Para os sul-coreanos, as comemorações marcam também o começo da instalação de mísseis prontos para serem lançados. Em editorial do jornal oficial do partido, o presidente norte-coreano é elogiado.

O arsenal norte-coreano

  • A quantidade exata de armas nucleares na Coreia do Norte é uma incógnita, uma vez que o país não é signatário de tratados para controle de tecnologias para destruição em massa.

    No entanto, estima-se que o arsenal do país inclui alguns foguetes que poderiam atingir não só Seul, mas capitais como Tóquio e até mesmo bases norte-americanas no Pacífico.

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"A eleição de Kim Jong-un, nosso companheiro, como primeiro-secretário, foi um grande evento político" e um ponto de mudança nos esforços para consolidar o partido e construir uma nação poderosa”, diz o texto do jornal "Rodong Sinmun", publicado pelo partido único da Coreia do Norte.

Apesar das ameaças de ataques a bases dos EUA e à Coreia do Sul, em resposta a qualquer ato hostil, a Coreia do Norte voltou suas atenções desde segunda-feira (8) para as comemorações do aniversário de seu fundador, Kim Il-sung, avó do atual líder. E, com o foco em celebrar a dinastia Kim, o Estado eremita pareceu baixar o tom da retórica de guerra iminente.

A emissora estatal de televisão, a KCNTV, mostrou hoje um documentário de Kim Jong-un em vários eventos no último ano. Em uma das imagens, ele aparece observando com binónculo uma área que indica ser a fronteira com a Coreia do Sul. “A história nunca viu um dirigente socialista como ele”, diz o texto do editorial. “[Kim] o homem número um em convicção e vontade”, ressalta o jornal.

A edição online do diário mostra também uma imagem do líder norte-coreano saudando a população na Praça Kim Il-sung, no centro da capital norte-coreana. (Com Reuters e Agência Brasil)

Tensão na península coreana

Na quarta-feira (10), a tensão entre as Coreias alcançou o seu nível máximo depois que a Coreia do Sul ter afirmado que era "altíssima" a probabilidade de a Coreia do Norte, após semanas de ameaças bélicas, testar um míssil de médio alcance a qualquer momento, como demonstração de força.

Número de ogivas por país

  • Estima-se que existam mais de 17 mil ogivas nucleares no mundo, de acordo com a Federação de Cientistas Americanos. Do total, cerca de 4.300 são consideradas operacionais.

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Segundo informaram fontes da Defesa à agência "Kyodo", recentes imagens por satélite mostram que a plataforma de lançamento de mísseis norte-coreana foi colocada em posição vertical, o que pode indicar a finalização dos preparativos ou se trata de uma simples manobra para gerar confusão.

A maioria dos analistas acredita que a Coreia do Norte não tem a intenção de iniciar um conflito que poderia levar à sua própria destruição, mas alerta para os riscos decorrentes de um eventual erro de cálculo na península coreana, um dos lugares mais militarizados do planeta.

A tensão na península é grande desde dezembro, quando o Norte realizou com sucesso um lançamento de foguete, considerado pelos Estados Unidos e a Coreia do Sul como um disparo de teste de míssil balístico.
 
Em fevereiro, Pyongyang executou um terceiro teste nuclear, o que provocou a adoção, no início de março, de novas sanções pelo Conselho de Segurança da ONU.
 
Em protesto contra as manobras militares conjuntas realizadas por Coreia do Sul e Estados Unidos em território sul-coreano, o governo do Norte declarou nulo o armistício que interrompeu a guerra da Coreia em 1953 e ameaçou com um "ataque nuclear preventivo" contra alvos sul-coreanos e americanos.
 
No dia 30 de março, Pyongyang anunciou que se encontrava em "estado de guerra" com a Coreia do Sul, depois de ter rompido todas as comunicações diretas entre os governos e os exércitos dos dois países no dia 27.
 
Os governos da Coreia do Sul e Estados Unidos já alertaram Pyongyang sobre as severas repercussões de qualquer agressão.