Despovoamento rural aumenta número e extensão de incêndios na Amazônia

O despovoamento de zonas rurais da Amazônia, a construção de estradas e as secas estão causando incêndios maiores e com mais frequência na região, segundo estudo de pesquisadores da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos.

"O resultado do despovoamento de áreas rurais, junto com redes ampliadas de estradas e secas crescentes está causando incêndios mais frequentes e maiores que arrasam grandes áreas", indicam os especialistas do Instituto da Terra, departamento da universidade sediada em Nova York.

A pesquisa centrada na Amazônia peruana (que abarca 65% do território do país latino) lembra que "durante décadas, muitas áreas da bacia amazônica se tornaram um mosaico de fazendas, pradarias e áreas desmatadas à medida que o povo chegava e derrubava árvores". 

"Mas agora muitos estão partindo em busca de oportunidades econômicas nas cidades da Amazônia, em plena expansão", acrescenta, destacando que uma das razões da existência de mais incêndios florestais é justamente este abandono de terras. "Alguns cientistas começaram a pensar que isto levaria a menos incêndios. Mas o estudo mostra o contrário: com menos gente na região para controlá-los e pequenas árvores conquistando rapidamente parcelas não cultivadas, mais incêndios fora de controle se espalham  e queimam áreas maiores", explicam.

Entre 2003 e 2007, a população da Amazônia peruana aumentou 20%, situando-se em 7,5 milhões de pessoas, segundo dados oficiais citados pelos pesquisadores. Mas as zonas urbanas cresceram de forma mais acelerada e muita gente do campo se mudou para as cidades, razão pela qual a população rural caiu até 60% em algumas províncias peruanas.

O estudo da Universidade de Columbia destaca que a população rural vai cair em quase todos os países da bacia amazônica, apesar do crescimento das cidades.

Segundo Maria Uriarte, especialista do Departamento de Ecologia, Evolução e Biologia Ambiental de Columbia e uma das autoras do estudo, embora os camponeses sejam com frequência acusados de destruir o meio ambiente, na realidade "são bastante sofisticados no manejo de incêndios e planejam quando, como e onde queimam as terras".

Para avaliar a frequência e causas dos incêndios sem controle, os cientistas combinaram dados sobre o clima na região, imagens do uso das terras e dos incêndios e entrevistas com camponeses na cidade peruana de Pucallpa (capital do departamento de Ucayali), considerada uma das portas de entrada da Amazônia ocidental.

Muitas dessas entrevistas foram feitas enquanto ardiam incêndios na região, explicaram os autores. A Amazônia é uma região vasta compartilhada por oito países da América do Sul e a Guiana francesa. 

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