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Blocos de rua


Põe ferveção nisto: foliões paulistanos enfrentam verão histórico em SP

Daniel Lisboa

Colaboração para o UOL, em São Paulo

03/02/2019 00h26

Seis horas da tarde, 34 graus. O relógio de rua em frente a uma das saídas do metrô Anhangabaú, no centro de São Paulo, não deixa dúvidas: o clima de ferveção chegou definitivamente à cidade. 

Depois do janeiro mais quente já registrado em 76 anos de medições oficiais, a capital paulista segue derretendo enquanto cai na folia. Fevereiro já começou com o dia mais quente do ano - 35,3° -, a sexta maior temperatura para o mês desde 1943. 

O calor histórico e prolongado tem forçado os foliões a lidar com um patamar acima do comum no quesito suadeira. Convenhamos: em condições normais, pular no meio de um bolo de gente suada não seria a opção mais adequada para sobreviver a um dia como ontem. Isso se não estivéssemos no Brasil, e se não fosse Carnaval

Com esta questão em mente, o UOL visitou a edição pré-carnavalesca da festa Chorume 0800. Em meio ao mar de concreto do centro paulistano, e sem uma reles brisa poluída para aliviar, perguntamos ao público como eles lidam, ou pretendem lidar, com o calor neste Carnaval. 

"É maravilhoso este calor", diz Matheus Neves, 22 anos, antes de refletir um pouco mais a respeito. "Quer dizer...podia estar um pouco mais fresco, né? Mas é tudo uma questão de se hidratar."

A opinião é compartilhada por Tayna Ferreira, 24, para quem o calor também não é assim um grande problema. Contanto, porém, que você saiba suar com glamour: "Carnaval é essa suadeira mesmo, as pessoas grudando. O negócio é se encher de glitter para pelo menos passar calor com brilho", brinca, antes de dar uma sugestão à prefeitura. "Eles podiam passar com aquelas mangueiras de lavar a rua e de tempos em tempos jogar água no pessoal para refrescar."

O DJ avisa que é "hora de começar a putaria", mas o público permanece no mesmo ritmo: animado, mas, entre abanos e camisas encharcadas de suor, mais vagaroso do que provavelmente estaria se a temperatura estivesse mais baixa. O relógio de rua em frente à praça onde acontece a festa marca 31° às 19 horas. 

"Também acho que esse tempo está ideal", diz Vitor Façanha, 27. Ele dá uma dica diferente para lidar com o calor. "Use rosa, não escute a Damares (Alves, ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos)."

Suando debaixo de uma camisa preta, e vestindo calça, Vitor Neto, 29, lamenta não ter sido avisado antes sobre o programa. "Meus amigos me chamaram em cima da hora e vim direto do trabalho. Se soubesse, teria pelo menos colocado uma bermuda", diz. "Carnaval é isso aí mesmo, é calor. Mas, se pudesse escolher, poderia estar uns quatro graus a menos."

Já Giovanni Oliveira, 20, traz um argumento que pode servir de consolo a quem anda sem paciência para fritar no asfalto paulistano: "pelo aqui você pode usar glitter, maiô, sunga. No dia a dia a gente não pode, mesmo que esteja muito quente". 

O que ele espera do tempo no Carnaval? "Por mim pode estar quarenta graus. Com uma chuvinha no fim do dia para refrescar, quem sabe...".