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Bloco Sai, Hétero anima rua Augusta na terça-feira de Carnaval

Sara Puerta

Do UOL, em São Paulo

05/03/2019 14h51

Se normalmente a Rua Augusta já é conhecida por seu tradicional fervo, a terça-feira de Carnaval não foi nada diferente. Com o desfile de blocos LGBT's pela rua, a região foi tomada de foliões.

A organização do bloco se surpreendeu com a proporção do público, já que hoje também acontecia o show da cantora Pabllo Vittar. No mesmo endereço também desceram mais dois blocos: O da Tereza e o trio da Drag Queen Salete Campari, sendo os três de perfil LGBT, mas que atrai público variado, buscando mais segurança e menos assédio.

Lotação

"Aqui é outra parada LGBT! Adoro! Manda mais que tá pouco!" disse o mineiro, Fábio Ferreira, 32, ao pulos. O pesquisador disse que já teve sua fase de Ouro Preto, mas os amigos de SP ficam postando fotos e aqui parece ser e ele acaba vindo. "Não me aguento de inveja porque SP parece ser melhor para os gays", brinca.

A Rua Augusta não deu conta da multidão e muita gente escolheu ficar nas ruas transversais. O som foi improvisado com celulares, caixas pequenas ou por vendedores ambulantes. O gênero mais tocado? Funk! Para se ter uma ideia de que esse é o ritmo que toma conta do Carnaval LGBT, um dos trios, antes de desfilar, começou a tocar sertanejo, e o público pediu para mudar o som.

Bloco Sai, Hétero lota a Rua Augusta, em São Paulo - André Lucas/UOL
Bloco Sai, Hétero lota a Rua Augusta, em São Paulo
Imagem: André Lucas/UOL

Críticas

E por falar em reação do público, as manifestações contrárias ao presidente Jair Bolsonaro foram recorrentes durante as passagens do bloco: do tradicional "Ele não" ao mais explícito impossível "Ei Bolsonaro, vai tomar no c....."

Problemas técnicos

Durante o desfile, o carro de som do Sai, Hétero teve problemas e interrompeu a música. Nem a organização e nem o público se abalaram. A drag queen Ayran Baumler adiantou os vocais e começou a sua apresentação no chão mesmo. Logo depois, o som foi normalizado.

Casal que quer casar

A reportagem do UOL flagrou nos dias do carnaval muitos casais de vendedores ambulantes com uma placa " Nos ajude a casar", para alavancar as vendas. Pâmella Miranda, 25 e Henrique Rodrigues, 26, estão juntos há cincos anos e planejam se casar no ano que vem, vendendo geladinhos nas versões sem e com álcool de Pinã Colada e Caipirinha Cremosa.

"Nos conhecemos na Faculdade de Matemática em Ribeirão Preto. Foi amor à primeira vista e casar sai caro, não é? Trabalhamos os quatro dias de Carnaval e rendeu um bom dinheiro extra",contou Pâmella. Os dois trabalham como trainee em uma empresa de auditoria.

Bandeira do bloco Sai, Hétero na Rua Augusta, em São Paulo - André Lucas/UOL
Bandeira do bloco Sai, Hétero na Rua Augusta, em São Paulo
Imagem: André Lucas/UOL

"É cada um por si"

Com a multidão na região, a reportagem não viu nenhum policiamento, nem postos médicos para emergências na Rua Augusta nem nas ruas próximas.

Ao ver uma foliona desmaiada por conta de excesso de bebida alcoólica, um engenheiro da CET foi questionado onde estaria a polícia ou ambulância. "Eu não vi nenhum carro ainda. Se sair uma briga é cada um por si".

Por sorte, com água no rosto e sal na boca, a garota foi reacordada pelos amigos. As ambulâncias e o policiamento mais próximo estavam posicionados na Praça Roosevelt, próximo ao local do final do desfile.

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