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Alberto Bombig

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Blefe, política de gabinete e pegadinha: o mundo paralelo da terceira via

Luciano Bivar, deputado federal, presidente da União Brasil e pré-candidato ao Planalto - AG SENADO
Luciano Bivar, deputado federal, presidente da União Brasil e pré-candidato ao Planalto Imagem: AG SENADO
Alberto Bombig

Alberto Bombig é jornalista com passagens pela Folha de S. Paulo, revista Época e O Estado de S. Paulo.

Colunista do UOL

10/06/2022 04h01

Durou quase nada a sensação de paz e de unidade nos partidos da chamada terceira via. Pouco mais de uma semana depois de a União Brasil ter lançado oficialmente Luciano Bivar ao Planalto e apenas um dia após PSDB, Cidadania e MDB terem se trancado em um gabinete de Brasília para selar o apoio a Simone Tebet, a quinta-feira (9) mostrou que, longe dos carpetes e dos aparelhos de ar-condicionado, a realidade eleitoral nas bases tende a ser diferente para os pré-candidatos que buscam escapar das órbitas de Lula (PT) e de Jair Bolsonaro (PL).

Antes mesmo da reunião da Executiva tucana que referendou ontem, sem unanimidade, o apoio (definido na véspera no gabinete de Tasso Jereissati) dos tucanos à senadora e pré-candidata, o experiente Aécio Neves (MG) já alertava: "Eu temo é que em vários estados do Brasil o PSDB terá enorme dificuldade de caminhar com a candidatura do MDB. Temo que isso não tenha correspondência na política real, nas bases reais do partido. A única consequência concreta dessa decisão (de apoio a Simone Tebet) é a antecipação do segundo. Nossos candidatos e nossas bases vão se decidir entre Lula e Bolsonaro, e o partido vai perdendo a sua identidade", disse Aécio Neves. A clareza da declaração dispensa análises e previsões sobre o que deve acontecer quando a campanha eleitoral começar.

Na União Brasil, a divisão interna também ficou explícita. Bivar ameaçou romper o apoio a Rodrigo Garcia (PSDB) em São Paulo para negociar adesão a Fernando Haddad (PT). No final da tarde de ontem, porém, a ala paulista do partido, liderada por Milton Leite, dizia que não há a menor chance de ficar fora do palanque do governador do estado, pré-candidato à reeleição. O apelido de "Desunião Brasil" nunca fez tanto sentido, os mais apocalípticos já estimam que o rebento surgido do casamento do DEM com o PSL não chegue vivo em 2023.

Enredada em sua política de gabinetes, a terceira via não consegue abandonar seu universo paralelo. Enquanto tudo isso acontecia, Bolsonaro e Paulo Guedes pressionavam empresários a ajudar na reeleição do presidente segurando os preços da cesta básica. Até eles já entenderam que o povo tem pressa, o povo tem fome.

FOI BLEFE?
A revolta de Luciano Bivar contra o PSDB começou na tarde da quarta-feira (8), durante encontro com a deputados da União Brasil. O presidente e presidenciável ameaçou: quem estiver com os tucanos nos estados não vai receber um centavo do Fundo Eleitoral. O grupo que apoia Rodrigo Garcia rapidamente captou a mensagem.
Não satisfeito, Bivar disse que abriria negociações com o PT paulista. Boa parte dos petistas de São Paulo, especialmente aqueles que conhecem a força de Milton Leite e a proximidade dele com Garcia, não acreditaram na ameaça. A aliados, o presidente da União dizia que havia ficado frustrado com a decisão do PSDB de indicar Tasso Jereissati para ser o vice de Simone Tebet porque ainda sonhava em ter um tucano na sua chapa.
No final da quinta-feira (9), o PSDB comemorava, certo de que o problema com Bivar estava contornado. Bruno Araújo, presidente nacional do partido, e o próprio Garcia haviam trabalhado para resolver o impasse, que envolvia também a eleição para o governo de Alagoas.

PEGADINHA
A opção pela candidatura própria sequer foi incluída na votação da Executiva do PSDB. A consulta era uma só: "aprova coligação nacional com o MDB, tendo Simone Tebet como candidata a Presidente e o PSDB indicando o candidato(a) a vice?"