PUBLICIDADE
Topo

Alberto Bombig

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Zema busca polarização com o PT de Pimentel em Minas

Alberto Bombig

Alberto Bombig é jornalista com passagens pela Folha de S. Paulo, revista Época e O Estado de S. Paulo.

Colunista do UOL

21/06/2022 15h20Atualizada em 21/06/2022 16h32

O alinhamento eleitoral entre Alexandre Kalil (PSD) e o PT está fazendo com que o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), busque uma polarização com o partido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa pelo governo mineiro.

Candidato à reeleição, Zema tem dedicado boa parte de sua pré-campanha para criticar a gestão de Fernando Pimentel (PT) em Minas Gerais. O petista comandou o estado entre 2015 e 2018 e agora apoia o ex-prefeito Kalil, principal adversário do atual governador, conforme as mais recentes pesquisas de intenção de voto.

Segundo apurou a coluna, o governador busca despertar no eleitor o sentimento antipetista que o ajudou em 2018, quando o partido dele, o Novo, surgiu como contraposição à direita das gestões do PT. A estratégia também inclui minimizar o confronto direto com Kalil, ex-prefeito de Belo Horizonte. Por ora, no entanto, Zema descarta um alinhamento direto com Jair Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula no cenário nacional.

Em suas redes sociais e entrevistas, Zema tem feito críticas diretas e indiretas ao antecessor. "Quitamos mais uma dívida com as prefeituras de Minas: R$ 7 bi que o governo Pimentel deixou de repassar em verbas de saúde e educação para as cidades mineiras, inclusive as dirigidas pelo PT", afirmou o governador recentemente em um post, no Twitter.

A equipe de Pimentel, que avalia a possibilidade de uma candidatura a deputado federal, contesta os números da equipe de transição de Zema e lembra que, em sua gestão, entre 2015 e 2018, enfrentou um cenário de crise econômica. Ainda de acordo com a equipe do ex-governador, apesar de a gestão Zema de ter arrecadado R$ 94 bilhões a mais do que Pimentel, em 3 anos e 5 meses de governo, os dados mostram que o desequilíbrio das contas públicas persiste e que o slogan de campanha dele, de um "estado eficiente", é inadequado porque não condiz com a realidade.

O próprio Kalil chegou a dizer que Zema "pensa todos os dias no Pimentel". Um levantamento feito pela coluna mostra que, desde a aliança do ex-prefeito com o PT, Zema fez referências diretas a Pimentel (descontadas as citações ao "governo anterior") em ao menos 20 publicações nas redes sociais. Ele também tem feito referências ao petista em suas agendas públicas.

Como essa, a maior parte das críticas aborda as finanças públicas de Minas Gerais. Segundo Zema, a gestão dele está "colando as contas nos trilhos" após Pimentel ter deixado um rombo bilionário no governo mineiro. Relatório elaborado pela equipe de transição do atual governador, ainda em 2018, apontava um déficit de R$ 100 bilhões.

Em 2018, último ano de Pimentel no governo, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais aprovou orçamento para o ano seguinte, o primeiro da atual gestão Zema, prevendo déficit de R$ 5,6 bilhões. Neste ano, o governo enviou para a Assembleia proposta de Orçamento prevendo déficit de 11 bilhões para 2023.

Pimentel diz que há uma "obsessão" de Zema em relação a ele. O petista tem cobrado também que o atual governador cumpra os compromissos estabelecidos com os profissionais da Educação e da Segurança.

Reportagem recente do jornal O Tempo diz que o ex-governador Pimentel deixou o estoque da dívida do estado em R$ 114,3 bilhões, mas o montante atual, correspondente a abril último, está em R$ 152,1. Segundo a reportagem, o valor atual supera também aquele previsto para o exercício financeiro de 2023, que, de acordo com a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2023, é R$ 151,2 bilhões.

Procurada pela coluna, a pré-campanha de Zema disse tratar-se de um assunto relativo ao governo de Minas. A coluna, então, procurou a assessoria do governador, mas não obteve resposta.