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Amaury Ribeiro Jr

Polícia indicia atleta e influenciador digital e mais oito pessoas em Minas

Amaury Ribeiro Jr

Natural de Londrina (PR), Amaury Ribeiro Jr é jornalista, escritor e compositor. Formado pela Faculdade Cásper Líbero, trabalhou como repórter especial dos jornais O Globo, JB, Correio Brazilense. Trabalhou também como editor da revista IstoÉ e produtor executivo da Rede Record. Em trinta anos, ganhou os principais prêmios de jornalismo: Esso (três), Embratel (dois), Líbero Badaró (dois), Vladimir Herzog (quatro), Rei da Espanha entre outros. É autor dos livros "Privataria Tucana", "O Lado Sujo do Futebol" (junto om Luiz Carlos Azenha e Leandro Cipoloni) e "Poderosos Pedófilos".

13/12/2020 16h50Atualizada em 27/12/2020 22h24

A Polícia Civil de Minas Gerais indiciou o atleta e influenciador digital Rodrigo Fíúza, 43, e mais outros suspeitos de exploração sexual de crianças e adolescentes, de 13 a 16 anos, em uma casa no Bairro Pampulha em Belo Horizonte.

Além de Fiúza, três dos suspeitos indiciados continuam presos: o engenheiro mecânico Leonardo Rodrigues Zambrana, Lorraine Stefani, 20 anos, e um outro influenciador (cujo nome ainda não foi divulgado pela polícia), suspeito de engravidar uma menina de 13 anos.

Esse segundo influenciador foi indiciado sob a acusação de por estupro de vulnerável (praticar relação sexual ou ato libidinoso com meninas menores de 14 anos). Considerado hediondo, esse crime prevê uma pena de 8 a 15 anos de reclusão.

Conhecido por ter percorrido 62 países em sua motocicleta (quando marcou dois recordes mundiais), Fiúza foi indiciado pelas supostas práticas de exploração sexual e fornecimento de drogas para adolescentes. Acusada de aliciar as meninas, Lorraine foi indiciada sob a acusação dos mesmos supostos crimes.

Zambrana, que estava foragido e foi preso no dia 3 de dezembro em um mercado de Belo Horizonte, foi indiciado por três supostos crimes: exploração sexual de adolescentes, armazenamento de material pornográfico de crianças e falsificação de documentos de adolescentes.

O UOL não conseguiu localizar os advogados de Fiúza e Lorraine. Procurado por e-mail pelo UOL neste domingo (13), o advogado de Leonardo Zambrana, Rodrigo Suzana, não havia se manifestado sobre o assunto até a publicação deste texto. Seu e-mail enviou uma mensagem dizendo que o e-mail do UOL foi recebido e que assim que possível haveria um retorno. Assim que houver uma resposta, esta reportagem será atualizada.

"As fotos são horríveis", disse a delegada Renata Ribeiro em entrevista coletiva à imprensa em que não citou o nome dos envolvidos. Lotada na Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescnte (DPCA), a delegada solicitou por meio do Ministério Público que as prisões provisórias(30 dias), Rodrigo, Leonardo, Lorraine e do influenciador sejam mudadas de provisórias para preventiva.

O ato de indiciamento, pela polícia, significa que os investigadores encontraram indícios que consideraram suficientes para a imputação de um crime, mas ainda não significa a condenação dos investigados. O caso é acompanhado pelo Ministério Público, a quem cabe denunciar ou arquivar as investigações, e pelo Judiciário.

Imagem do Google mostra casa onde polícia investiga esquema de pedofilia e prostituição de menores em Belo Horizonte - Reprodução - Reprodução
Imagem do Google mostra casa onde polícia investiga esquema de pedofilia e prostituição de menores em Belo Horizonte
Imagem: Reprodução

"Minha filha se sentia ameaçada", diz mãe que acionou a polícia

Chamada de "Casa dos Anjos", o endereço do bairro da Pampulha onde as meninas eram exploradas é apontado pela polícia como central do suposto esquema de exploração sexual.

As investigações apontam que, durante a pandemia do novo coronavírus, Fiúza alugou uma casa na Rua Xangrilá na Pampullha com a logomarca de sua empresa "Loucos por Aventura". Nesse local, meninas de 13 a 16 anos teriam sido drogadas e aliciadas para fazer sexo com empresários e outros moradores da cidade.

Segundo as investigações, as vítimas eram fotografadas nuas e o material pornográfico era explorado em sites na internet. O fotógrafo que registrava essas cenas, cujo nome está sendo mantido em sigilo, também está entre os indiciados.

Uma das fotos foi acessada na internet pela mãe de uma das vítimas, uma menina de 13 anos. "Minha filha se sentiu ameaçada com a foto. Até hoje está assustada. Por isso acionei a polícia", disse a mãe em entrevista ao "Jornal da Record".

13 adolescentes teriam tido relações em troca de dinheiro ou viagens

O atleta e influenciador digital Rodrigo Fiuza, praticante de diversos esportes radicais, passou a ser entrevistado com frequência em programas comandados por artistas de sucesso na TV como Jô Soares, Ana Maria Braga e Fausto Silva, entre outros.

Fiúza, que foi escolhido para representar o país na Olimpíada de Esportes Radicais no México no ano de 2000, tornou-se uma celebridade ao aparecer em revistas sociais e de esportes e ao proferir palestras promovidas por grandes empresas do país com o tema "Gestão dos Sonhos".

A fama levou Fiúza, que passou a trabalhar também como apresentador de programas e documentários esportivos, a receber várias homenagens e a contar com o financiamento de empresas para seus projetos de esportes radicais. Com mais de 90 mil seguidores no Instagram, Fiúza fundou sua própria agência de turismo, especializada em esportes, que tem o nome fantasia de "Loucos por Aventura".

Neste ano, Rodrigo se candidatou a vereador em Belo Horizonte pelo PSB e teve 63 votos. Após sua participação no esquema ter sido revelada pelo UOL, o PSB suspendeu sua filiação. O partido se reúne hoje nesta segunda-feira (14) para decidir sobre a expulsão do atleta da sigla.