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Nenhuma surpresa: Lava Jato contra-ataca e faz nova denúncia contra Lula

Além de ex-presidente, denúncia inclui também Antonio Palocci e Paulo Okamotto - Reprodução/Twitter
Além de ex-presidente, denúncia inclui também Antonio Palocci e Paulo Okamotto Imagem: Reprodução/Twitter
Ricardo Kotscho

Ricardo Kotscho, 72, paulistano e são-paulino, é jornalista desde 1964, tem duas filhas e 19 livros publicados. Já trabalhou em praticamente todos os principais veículos de mídia impressa e eletrônica. Foi Secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República (2003-2004). Entre outras premiações, foi um dos cinco jornalistas brasileiros contemplados com o Troféu Especial de Direitos Humanos da ONU, em 2008, ano em que começou a publicar o blog Balaio do Kotscho, onde escreve sobre a cena política, esportes, cultura e histórias do cotidiano

Colunista do UOL

14/09/2020 19h16

A Lava Jato não esquece, não perdoa e sempre tem uma nova carta na manga quando se vê acuada.

Desta vez, o contra ataque não demorou.

Uma semana depois de o ex-presidente Lula divulgar um vídeo com duras críticas à operação e ao governo, marcando sua volta à cena política, a Lava Jato do Paraná ofereceu nesta segunda-feira nova denúncia contra o petista.

Segundo as investigações do Ministério Público Federal, baseadas em delações do ex-ministro Antonio Palocci, também denunciado, o Instituto Lula teria recebido R$ 4 milhões da Odebrecht, em quatro parcelas, "disfarçadas de doações filantrópicas".

Quantos institutos de ex-presidentes, iguais aos de Lula, já foram investigados? Os outros recebem doações de quem? Da Cruz Vermelha?

A defesa de Lula alega que as doações foram registradas e contabilizadas pelo instituto e declaradas à Receita Federal na década passada.

"A Lava Jato, mais uma vez, recorre a acusações sem materialidade contra seus adversários, no momento em que a ilegalidade dos seus métodos em relação a Lula foi reconhecida recentemente em pelo menos três julgamentos realizados no Supremo Tribunal Federal", diz a nota dos advogados de Lula.

Na semana passada, os escritórios desses advogados do ex-presidente, que já tiveram seus telefones grampeados, foram alvos de busca e apreensão durante uma operação da Lava Jato do Rio.

Para a defesa, "essa nova investida da Lava Jato contra Lula reforça a necessidade de ser retomado o julgamento da suspeição do ex-juiz Sergio Moro".

O processo está há tempos com o ministro Gilmar Mendes, do STF, que ainda não marcou data para julgar a ação.

Sem Sergio Moro, que saiu para entrar no governo, e sem Deltan Dallagnol, o procurador que deixou a coordenação da operação, a Lava Jato vive sua maior crise desde 2014, em confronto aberto com o procurador-geral Augusto Aras, que questiona exatamente os métodos adotados.

Nestas horas, nada como tirar das gavetas as intermináveis delações de Antonio Palocci à Polícia Federal, que haviam sido rejeitadas pelos procuradores de Curitiba por não apresentarem provas.

Enquanto isso, repousam em berço esplêndido no STF e em outros tribunais processos antigos movidos contra políticos notáveis de outros partidos, que nunca chegam a julgamento.

Pode ser tudo uma grande coincidência, uma conjuminação de astros. Mas, que é estranho, é.

Deve haver nos altos poderes de Brasília uma ordem não escrita, que vem sendo cumprida à risca pela Lava Jato: esse cidadão, um tal de Lula, retirante de Caetés, no sertão pernambucano, não pode nunca mais ser candidato a nada. Quem deu essa ordem?

Vida que segue.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.