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Balaio do Kotscho

Paulo Coelho detona comício da Terceira Via do MBL: "Aécios travestidos"

Manifestantes pediam a morte de ministros do STF em ato convocado pelo MBL em 2019 - Bruno Santos/ Folhapress
Manifestantes pediam a morte de ministros do STF em ato convocado pelo MBL em 2019 Imagem: Bruno Santos/ Folhapress
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Ricardo Kotscho

Ricardo Kotscho, 72, paulistano e são-paulino, é jornalista desde 1964, tem duas filhas e 19 livros publicados. Já trabalhou em praticamente todos os principais veículos de mídia impressa e eletrônica. Foi Secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República (2003-2004). Entre outras premiações, foi um dos cinco jornalistas brasileiros contemplados com o Troféu Especial de Direitos Humanos da ONU, em 2008, ano em que começou a publicar o blog Balaio do Kotscho, onde escreve sobre a cena política, esportes, cultura e histórias do cotidiano

Colunista do UOL

09/09/2021 17h52

Autor brasileiro mais vendido no mundo, o escritor Paulo Coelho saiu do seu conforto para atacar o comício multicolorido da Terceira Via promovido pelo MBL (Movimento Brasil Livre) marcado para o próximo domingo, na avenida Paulista:

"Que não ocorra a nenhuma pessoa de bom senso juntar-se com esses idiotas do MBL na manifestação que programam para domingo. Adoram posar de bons moços mas são Aécios travestidos. Fizeram um imenso mal ao país. Não esqueçam isso", escreveu nas redes sociais.

Bem lembrado, caro Paulo: sempre é bom refrescar a memória de quem entrou na onda de defender o vale tudo político para tirar Bolsonaro do poder a qualquer preço.

Vamos com calma. É bom saber que esse MBL é uma franquia da direita neoliberal que surgiu, apoiada por empresários e banqueiros, no embalo da Lava Jato de Sergio Moro para derrubar Dilma, primeiro, e prender Lula, depois, abrindo caminho para Jair Bolsonaro, que apoiaram em 2018.

Filiados a diferentes partidos, eles são poucos, mas fazem muito barulho e estão sempre em busca de uma boa onda.

Lançaram há dois meses a ideia de uma manifestação sob o lema "Nem Bolsonaro, nem Lula", mas como a adesão de tucanos arrependidos em busca de uma Terceira Via não bastava para encher a avenida, de repente resolveram pegar uma carona no "Fora Bolsonaro", movimento de partidos de esquerda, centrais sindicais e sociais, que desde março promove atos contra o presidente.

De uma hora para outra, resolveram tirar o nome de Lula da convocação, na tentativa de ampliar o leque de apoios. Não foi fácil a decisão, pois uma ala do MBL e aliados ficou com receio de abrir espaço para a "esquerda lulista" nos protestos.

Até lançaram a hashtag #DomingoForaBolsonaro e anunciaram que querem reeditar a campanha das "Diretas Já", a grande frente democrática que se uniu para derrubar a ditadura, em 1984. Não tem nada a ver uma coisa com outra.

Naquele movimento, líderes de esquerda e direita se aliaram contra a ditadura, mas eram todos, acima de tudo, democratas, com os mesmos ideais e projetos para construir uma nação livre e solidária. Entre eles, não havia nenhum Kim Kataguiri, um desconhecido estudante que surgiu do nada para liderar protestos pelo impeachment de Dilma Rousseff, e acabou se elegendo deputado do baixo clero.

Em 1984, os líderes se chamavam doutor Ulysses, Lula, Brizola, FHC, Montoro, Tancredo _ é muita pretensão dessa meninada deslumbrada querer mostrar qualquer vínculo com as "Diretas Já".

Estão querendo misturar jacaré com lobisomem, uma união de bolsonaristas arrependidos, ou que votaram em branco na última eleição, com gente frustrada por não ter arrumado uma boquinha no governo, para ganhar espaço na mídia e se apresentar como um grande movimento suprapartidário contra a barbárie instalada com o decidido apoio deles.

E ainda impuseram algumas regras para quem quiser participar dessa micareta de sapatênis e pulover de cashmere no ombro: não pode ir com bandeiras nem camisetas de partidos, todo mundo tem que usar roupas brancas.

É a turma da "difícil escolha", que deixou de votar em Fernando Haddad, homem honrado e preparado para governar o país, ex-ministro Ministro da Educação e prefeito de São Paulo, para eleger um ex-militar, ignaro e limítrofe, que está levando o país à ruína.

As atrações anunciadas para o palanque da Terceira Via são o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM), João Amoêdo (Novo), a deputada federal Tábata Amaral (sem partido), o senador Alessandro Vieira Cidadania) e a senadora Simone Tebet (MDB), alguns deles pré-candidatos a presidente da República.

Também deverá abrilhantar o ato o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), que já chamou os militantes do MBL de "Zé Bostinha", e corre mais uma vez em via própria, nem direita nem esquerda, o único pré-candidato competitivo da turma. Mas ele não sabe ainda se vai subir no caminhão de som para falar ao povo ou apenas marcar presença. Tudo somado, nenhum deles passa de um dígito nas pesquisas e ficam a léguas de distância de Bolsonaro e Lula.

Como o PSDB agora também está oficialmente na oposição, pode ser que seus pré-candidatos João Doria e Eduardo Leite, compareçam ao ato. Aí só ficará faltando Michel Temer, o ex-presidente que vem se insinuando como um bom nome para a Terceira Via.

Para setores da mídia que estão desesperados para encontrar um nome capaz de enfrentar Lula e Bolsonaro, é o que temos para o momento.

Citado por Paulo Coelho, Aécio Neves não confirmou presença.

Vida que segue.

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