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Balaio do Kotscho

Pelo andar da carruagem, Lula corre o risco de vencer esta eleição por W.O.

Lula e a noiva Janja: sem pressa para marcar o casamento em ano eleitoral, que começou muito favorável para o petista  - Lula e Janja (Reprodução/Twitter)
Lula e a noiva Janja: sem pressa para marcar o casamento em ano eleitoral, que começou muito favorável para o petista Imagem: Lula e Janja (Reprodução/Twitter)
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Ricardo Kotscho

Ricardo Kotscho, 72, paulistano e são-paulino, é jornalista desde 1964, tem duas filhas e 19 livros publicados. Já trabalhou em praticamente todos os principais veículos de mídia impressa e eletrônica. Foi Secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República (2003-2004). Entre outras premiações, foi um dos cinco jornalistas brasileiros contemplados com o Troféu Especial de Direitos Humanos da ONU, em 2008, ano em que começou a publicar o blog Balaio do Kotscho, onde escreve sobre a cena política, esportes, cultura e histórias do cotidiano

Colunista do UOL

03/01/2022 15h00

W.O. é a sigla do termo inglês "walkover", que em português significa "vitória fácil", quando o adversário está impossibilitado de competir ou quando não existem adversários. O termo pode ser usado no futebol e em outros esportes, mas pode ser utilizado também em eleições.

***

Ao abrir a home do UOL neste primeiro dia útil do ano, me dei conta de que, juntando estas três notícias, as eleições de 2022 podem ser decididas por W.O.

Se não, vejamos:

"Bolsonaro é internado em São Paulo com quadro de obstrução intestinal" é a manchete desta segunda-feira.

Logo abaixo, duas outras informam:

"Moro deve concorrer ao Senado se não decolar nas pesquisas até fevereiro."

"Mercado financeiro e setor produtivo já não veem espaço para terceira via nas eleições."

Esta é a sexta vez que Bolsonaro é internado em hospitais para fazer exames e cirurgias desde a facada de Juiz de Fora na campanha de 2018.

Nas especulações de final de ano, colunistas respeitados já admitiam a possibilidade de Jair Bolsonaro desistir da reeleição, caso as próximas pesquisas confirmem que suas chances de vitória são cada vez mais remotas.

Nesse caso, poderia se candidatar a deputado ou senador para garantir o foro privilegiado, seu principal objetivo neste momento em que é acossado por diversas ações na Justiça.

Ficar impossibilitado de prosseguir a campanha por problemas de saúde poderia vir bem a calhar para não parecer que está fugindo da raia com medo da derrota.

Bolsonaro até já publicou em seu perfil no Twitter a tradicional foto de paciente deitado numa cama de hospital e escreveu que é possível ser submetido a uma "cirurgia de obstrução interna na região intestinal", como já aconteceu outras vezes.

Carolina Brígido informa aqui no UOL que "com 9% de intenções de voto nas pesquisas para presidente da República, o ex-juiz Sergio Moro ainda não decidiu se vai concorrer ao Palácio do Planalto, ou se lança mão do plano B: disputar uma cadeira no Senado".

Assim como acontece com Bolsonaro, no entorno de Moro a avaliação é de que o ex-ministro precisará ter um mandato no próximo ano, seja ele qual for, para garantir o foro privilegiado, depois que o TCU mandou a consultoria americana Alvarez & Marsal revelar os serviços prestados e os valores pagos ao pré-candidato.

Em nota enviada à jornalista pela sua assessoria de imprensa, Moro reafirmou que é "pré-candidato à Presidência, não ao Senado", e esclareceu que sempre foi contra o foro privilegiado.

Mas sabemos que Moro também já declarou várias vezes que jamais entraria para a política e negava sua candidatura presidencial em 2022.

Julio Wisiack, da Folha, entrevistou banqueiros, gestores e empresários sobre o cenário eleitoral e ouviu deles que é pequena a possibilidade de existir uma terceira via para as próximas eleições.

"Desde as prévias do PSDB, o comando das principais instituições financeiras e empresariais do país jogou a toalha e agora aposta em uma polarização entre Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT)".

Com Bolsonaro momentaneamente fora de combate, a candidatura de Moro balançando e os apoiadores da terceira via jogando a toalha, o cenário neste começo de ano eleitoral não poderia ser mais favorável para o ex-presidente Lula, que lidera com folga todas as pesquisas e corre o risco de ganhar já no primeiro turno.

Enquanto seus principais concorrentes enfrentam dificuldades, Lula continua jogando parado, costurando alianças e preparando sua próxima viagem internacional, desta vez para os Estados Unidos.

Sem pressa nem para marcar seu casamento com a namorada Janja, nem com o vice Geraldo Alckmin, o ex-presidente posta fotos de bermuda e chinelos no Ano Novo, com a vira-latas Resistência no colo, uma cachorrinha que apareceu perdida em Curitiba no acampamento "Lula Livre", que ficou montado durante os 580 dias da sua prisão na Polícia Federal.

Estes são os fatos, e não tenho como mudá-los, para agradar os bolsonaristas e moristas que frequentam esta coluna, inconformados com as notícias da imprensa.

O ano ainda está só começando e faltam nove meses para as eleições. Até lá, claro, muitas coisas podem acontecer, ou não. No momento, o retrato da corrida presidencial é esse.

Vida que recomeça.