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Carla Araújo

REPORTAGEM

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Advogado de Ribeiro diz que foi procurado com pedido de 'socorro'

Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

22/06/2022 17h49Atualizada em 22/06/2022 20h50

O advogado Daniel Bialski assumiu a defesa do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro na manhã desta quarta-feira (22), poucas horas depois da prisão do pastor.

À coluna Bialski afirmou que recebeu um telefonema do ex-ministro às 6h05. Depois, por mensagem, o ex-ministro enviou cópias dos mandados de busca e de prisão.

"Eu conhecia o ministro por causa de eventos ligados a atividades religiosas. Ele me pediu esse socorro agora de manhã e estou em contato com a família", afirmou o advogado, antes de ver negado pela Justiça o pedido para que Milton fizesse a defesa por videoconferência, evitando a transferência para Brasília.

Bialski é advogado da primeira-dama Michelle Bolsonaro e também do ex-secretário de Comunicação da Presidência Fábio Wangarten, que foi chamado para voltar a trabalhar com o presidente Jair Bolsonaro (PL) para ajudar na campanha e deve em breve ganhar um cargo no Planalto.

Apesar da ligação com pessoas próximas ao presidente, Bialski negou que tenha havido qualquer contato com alguém ligado ao governo antes de assumir a causa de Ribeiro. "Não conversei com ninguém do governo sobre isso", afirmou.

Milton Ribeiro é suspeito de realizar tráfico de influência a fim de beneficiar aliados com recursos do FNDE, órgão do MEC controlado por políticos do centrão. A atuação dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura junto ao MEC foi revelada inicialmente pelo jornal "O Estado de S. Paulo".

Ribeiro deixou o cargo após a Folha de S.Paulo divulgar um áudio no qual o então ministro afirmou que priorizava demandas dos amigos de um dos pastores a pedido do presidente Jair Bolsonaro.

Em nota divulgada hoje, o MEC disse que o governo federal "não compactua com qualquer ato irregular e o continuará a colaborar com as investigações".

'Disputa' de advogados

A prisão do ex-ministro gerou nos bastidores uma 'disputa' de advogados de defesa.

Em nota à imprensa, o advogado Luiz Carlos da Silva Neto, que até então cuidava do caso de Ribeiro, afirmou que tinha tomado ciência "da injusta e incabível prisão do ex-ministro Milton Ribeiro e iniciamos de pronto os procedimentos para requerermos a revogação deste excesso cometido pela Justiça Federal".

Como Bialski havia recebido o pedido diretamente do ministro, logo após o telefonema, ele pediu para que um colega fosse ao local da prisão, em Santos, para acompanhar os procedimentos e recolher a assinatura da Ribeiro para uma procuração.

Com base neste documento, Bialski solicitou a audiência de custódia virtual.

À coluna Luiz Carlos da Silva Neto negou que tenha deixado a defesa de Ribeiro. "Não fomos substituídos. Estando fazendo a defesa em conjunto", afirmou.

Questionado se trabalharia com o colega, Bialski respondeu: "Estou à frente da defesa agora e ele auxiliará".