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Carlos Madeiro

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Helicóptero resgata bebê de telhado em AL: 'Se casa caísse, todos morriam'

Carlos Madeiro

Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas e com especialização em gestão de conteúdo em jornalismo pela Universidade Mackenzie, Carlos Madeiro atua há 20 anos e escreve para o UOL desde 2009, participando de grandes coberturas e fazendo reportagens e análises sobre o Nordeste e o Norte do Brasil.

Colunista do UOL

03/07/2022 17h12

Uma família com um bebê foi resgatada hoje de manhã por helicóptero do Corpo de Bombeiros em Murici (50 km de Maceió) após passar o dia e a noite de ontem ilhados durante enchente. As águas do rio Mundaú subiram e inundaram toda a parte baixa da cidade.

No vídeo que mostra o resgate (veja acima), dá para ver que a casa onde a família estava fica em uma rua que foi tomada pela água. O resgate só foi possível após moradores tirarem parte das telhas para chegar ao topo da residência.

Segundo Carlos Burity, coronel do Corpo de Bombeiros que atuou no resgate, as equipes foram informadas ontem da situação da família, e uma guarnição em um bote se aproximou para tentar fazer o resgate.

"Eles viram que a dificuldade era grande, havia correnteza. Então tentaram três vezes até escurecer. Quando anoiteceu, eles tentaram outra vez, e o bote acabou virando na água", conta.

Os três bombeiros que estavam no bote passaram a noite no telhado e na laje da casa junto com a família, sem possibilidade de resgate por falta de iluminação. "A noite foi longa e tensa. A correnteza só fez aumentar e a gente ficou tenso porque, se essa casa caísse, ia matar todo mundo", afirma.

Ao amanhecer, o helicóptero dos bombeiros foi acionado e iniciou o resgate, ainda sob tensão. "Era uma estrutura frágil, que poderia colapsar. A gente tirou primeiro os militares e depois houve a retirada da família e das pessoas que estavam lá juntas. Foram 15 pessoas retiradas", relata.

Somente hoje, o grupamento aéreo de Alagoas fez 24 resgates por helicóptero de pessoas ilhadas por conta da inundação das ruas causadas pelos rios. As equipes continuavam atuando na tarde de hoje.

Alagoas enfrenta, desde a madrugada de ontem, a maior cheia de rios já registrada no estado. Ao todo, desde maio, 51 municípios (ou seja, metade dos 102 do estado) decretaram emergência.

Segundo o governo do estado, 29 cidades estão em situação mais crítica, entre elas Murici.

Dessas, dez estão com fornecimento de energia elétrica suspenso por questão de segurança. Havia ontem 30 cidades com problemas no abastecimento de água.

Ainda de acordo com o governo, vários acessos a cidades estão interditados por deslizamentos ou buracos abertos em rodovias, em especial as BRs 101, 104 e 316.

Rio Mundaú transbordou e alagou toda a parte baixa de Murici  - Defesa Civil Estadual - Defesa Civil Estadual
Rio Mundaú transbordou e alagou toda a parte baixa de Murici
Imagem: Defesa Civil Estadual

Desde sexta-feira (1º), as fortes chuvas nas cabeceiras dos rios em Pernambuco fizeram com que todas as bacias hidrográficas registrassem transbordamento no estado. O governo criou um comitê de crise para dar conta das demandas dos municípios e vítimas das enchentes.

Os maiores problemas hoje ocorrem na região metropolitana de Maceió, já que os rios Mundaú, Paraíba do Meio e Sumaúma deságuam nas lagoas Mundaú e Manguaba —essas bacias compreendem 30 municípios, entre eles a capital.

Na capital Maceió, a água da lagoa Mundaú subiu e atingiu barracos da favela Sururu de Capote e casas dos bairros da Levada, Pontal da Barra e Trapiche. Moradores desalojados estão sendo levados para duas escolas de forma emergencial.

No bairro da Levada, a água do canal subiu e transbordou - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
No bairro da Levada, a água do canal subiu e transbordou hoje
Imagem: Arquivo pessoal

Segundo a Defesa Civil Estadual, ainda não há como saber quantas pessoas foram desalojadas e desabrigadas no estado porque os municípios ainda estão atualizando os dados.

Dados da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos afirma que, em 60 dias, choveu mais do que a média histórica anual para Alagoas. A chuva, diz a pasta, é a maior já registrada para o período desde o início das medições, no início do século passado.

A cheia dos rios já é considerada maior que a de 2010, quando 27 pessoas morreram e quase de 40 mil foram desalojadas ou desabrigadas. Este ano, apesar dos maiores níveis e estrago material, não há registro de mortes de sexta-feira para cá.

Na tarde de hoje, o nível dos rios já baixava na maioria dos locais atingidos, mas ainda sobe ou está estável em outros por conta da chegada das águas às lagoas.

Como as chuvas deram uma trégua de ontem para hoje, em especial nas cabeceiras dos maiores rios (que ficam em Pernambuco), é esperado que o nível da água baixe nas próximas horas e dias em todo o estado.

Entretanto, como é esperada mais chuva nos próximos dias em razão do inverno —e como o nível dos rios continua alto—, a Defesa Civil estará em alerta permanente para monitorar a situação das cidades.