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Carolina Brígido

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Para tentar fazer as pazes, Bolsonaro se encontrará com Fux, Lira e Pacheco

Luiz Fux, presidente do STF, e o presidente Jair Bolsonaro - Felipe Sampaio/STF
Luiz Fux, presidente do STF, e o presidente Jair Bolsonaro Imagem: Felipe Sampaio/STF
Carolina Brígido

Escreve sobre Judiciário, especialmente o STF, desde 2001. Participou da cobertura do mensalão, da Lava-Jato e dos principais julgamentos dos últimos anos. Foi repórter e analista do jornal "O Globo" de 2001 a 2021. Foi colunista a revista "Época" de 2019 a 2021.

Colunista do UOL

29/07/2021 04h00

Não é de hoje que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) está em pé de guerra com o STF (Supremo Tribunal Federal) e o Congresso Nacional. Enquanto critica com palavras duras ministros da cúpula do Judiciário, o presidente é alvo da CPI de Covid, no Senado, e de uma avalanche de pedidos de impeachment na Câmara dos Deputados.

Para tentar debelar o clima beligerante e discutir a relação, os comandantes dos Três Poderes devem se encontrar na próxima semana. A iniciativa foi do presidente do Supremo, Luiz Fux, que convidou Bolsonaro e os presidentes da Câmara e do Senado, Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (DEM-MG), para uma reunião no tribunal.

O clima entre o mandatário e o Judiciário pesou no início do mês, quando ele chamou o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Luís Roberto Barroso, de "idiota" e de "imbecil". Também disse que, sem voto impresso, as eleições de 2022 não seriam realizadas.

Depois disso, Barroso soltou uma nota dizendo que ameaçar eleições poderia configurar crime de responsabilidade. Pacheco também se manifestou, mas em um tom mais ameno. Fux se aliou à turma dos panos quentes e chamou Bolsonaro para uma conversa. Falou com o presidente sobre a importância da democracia e o respeito às instituições.

Ao fim da reunião, ocorrida no dia 12, o ministro disse que Bolsonaro entendeu o recado. O presidente saiu dizendo que os dois estavam "perfeitamente alinhados" no sentido de respeitar os limites da Constituição Federal.

A declaração não parece ter sido sincera. Pelos dias seguintes, seguiu dando declarações polêmicas sobre as eleições de 2022. Ontem mesmo (27) disse que o povo iria reagir se não houvesse voto impresso.

Depois da reunião do dia 12, Fux sugeriu a reunião com os chefes dos Três Poderes para a semana seguinte. No entanto, Bolsonaro passou mal e foi internado. A reunião foi cancelada e, agora, deve ser remarcada para a próxima semana.

A trégua entre os Três Poderes pode ser selada na próxima semana, quando serão retomadas as atividades do STF e do Congresso Nacional. Mas a tendência é que seja uma paz tênue. Os dois vértices da Praça dos Três Poderes têm munição suficiente para abalar o Palácio do Planalto nos próximos meses.

No Senado, a CPI da Covid deve se arrastar até novembro, com expectativa de intensificação dos ataques ao governo federal. Na Câmara, Lira continuará se equilibrando entre as dezenas de pedidos de impeachment contra o presidente.

Em agosto, o advogado-geral da União, André Mendonça, deve ser submetido a sabatina na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado rumo a uma vaga no STF. O governo tem tido dificuldade para angariar apoio à nomeação. Em setembro, novo desafio: quem será sabatinado é o procurador-geral da República, Augusto Aras, em busca de mais dois anos no posto.

No STF, a vida de Bolsonaro também não será fácil. Está agendado para setembro o julgamento que definirá se o presidente prestará depoimento no inquérito que investiga se ele tentou interferir indevidamente nas atividades da PF (Polícia Federal). Em caso de ser aprovado o depoimento, o plenário vai decidir se ele será presencial, ou por escrito.

Em um momento de fragilidade política e queda de popularidade, prestar depoimento à PF não vai ajudar Bolsonaro a se reerguer.