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Carolina Brígido

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Fux considera atitude de Bolsonaro sinal de trégua com o Judiciário

Presidente do STF, ministro Luiz Fux - Nelson Jr./SCO/STF
Presidente do STF, ministro Luiz Fux Imagem: Nelson Jr./SCO/STF
Carolina Brígido

Escreve sobre Judiciário, especialmente o STF, desde 2001. Participou da cobertura do mensalão, da Lava-Jato e dos principais julgamentos dos últimos anos. Foi repórter e analista do jornal "O Globo" de 2001 a 2021. Foi colunista a revista "Época" de 2019 a 2021.

Colunista do UOL

07/10/2021 04h00

O presidente Jair Bolsonaro atingiu seu objetivo ao informar ao STF (Supremo Tribunal Federal) que concorda em prestar depoimento presencial à Polícia Federal. A intenção era hastear uma bandeira branca na direção do tribunal. A interlocutores próximos, o presidente da Corte, Luiz Fux disse que considerou o ato uma trégua, diante dos recentes ataques do presidente ao Judiciário. Seria uma forma de extensão da carta divulgada depois do Sete de Setembro em que Bolsonaro recuou dos ataques ao tribunal.

No ano passado, o ministro Celso de Mello, hoje aposentado, havia determinado que o depoimento deveria ser presencial. Na época, a AGU (Advocacia Geral da União) recorreu, pedindo para Bolsonaro ser interrogado por escrito. Hoje, voltou atrás.

A AGU convenceu o presidente a se render à ordem de Celso de Mello como demonstração de que respeita as decisões do Supremo. Nos discursos de Sete de Setembro, Bolsonaro disse que não cumpriria ordens do ministro Alexandre de Moraes. Depois voltou atrás, argumentando que falou "no calor do momento". Agora, tomou uma atitude para provar a suposta disposição de fazer as pazes com os ministros.

Na avaliação de aliados do presidente, o inquérito que Bolsonaro escolheu selar a paz com o STF não foi por acaso. Entre todas as investigações que tramitam no Judiciário sobre o presidente, essa é considerada a mais provável de não haver condenação.