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Chico Alves


Depoimento de Queiroz contradiz Wassef sobre saída do gabinete de Flávio

Fabrício Queiroz e Frederick Wassef - Reprodução
Fabrício Queiroz e Frederick Wassef Imagem: Reprodução
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

30/06/2020 12h01

Em depoimento prestado ontem à Polícia Federal, Fabrício Queiroz disse que saiu do gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj, em outubro de 2018, porque estava "cansado" de atuar como assessor parlamentar. A explicação contradiz a justificativa dada pelo advogado de Flávio, Frederick Wassef, em entrevista ao UOL, em 20 de maio.

Wassef alegou, então, que Queiroz saiu junto com outros funcionários do gabinete porque era "fim de mandato" e também porque ele "tinha" que voltar à Polícia Militar, seu órgão de origem, para passar à reserva e receber aposentadoria.

A PF apura se é verdadeira a informação do empresário Paulo Marinho de que Queiroz se demitiu depois que Flávio teve informação privilegiada sobre a investigação do esquema de "rachadinha".

Na entrevista, Wassef disse que Queiroz não foi o único a sair do gabinete naquela data. "Vários outros saíram de lá", argumentou. "Era fim de mandato". No entanto, o UOL não encontrou no Diário Oficial fluminense outro nome exonerado no gabinete de Flávio Bolsonaro em 15 de outubro de 2018.

Praticamente todos os funcionários foram dispensados em janeiro de 2019, quando o parlamentar encerrou seu mandato de deputado estadual para assumir o de senador.

Entre os que ficaram até o final do ano de 2018, por exemplo, havia três nomes citados na investigação de rachadinha: Agostinho Moraes Silva, Márcia Cristina Nascimento dos Santos e Evelyn Melo Queiroz. A última é filha de Fabrício Queiroz.

A outra alegação de Wassef era a necessidade de desligamento para que Queiroz passasse à reserva. "Ele tinha que voltar para a Polícia Militar, porque ele tinha que passar mais um tempo, não recordo se um mês ou dois meses, para poder ter o direito de ir para a reserva e receber a sua aposentadoria", contou o advogado, na entrevista.

As regras da PM, no entanto, não obrigariam Queiroz, que tem 31 anos de serviço, a entrar para a reserva naquele momento. Ele não precisaria se desligar do gabinete dois meses e meio antes do fim do mandato e com isso deixar de receber R$ 20 mil de remuneração.

A explicação dada ontem por Queiroz ao delegado da PF tampouco é convincente, já que, apesar do alegado "cansaço" que o teria feito pedir exoneração, ele continuou realizando algumas tarefas do gabinete de Flávio Bolsonaro mesmo depois de ter saído.

Reportagem do jornal O Globo revelou conversas de dezembro de 2018 entre Fabrício Queiroz e Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, ex-mulher de Adriano Nóbrega, miliciano que depois foi morto pela polícia na Bahia. Mesmo após ter saído da Alerj, foi Queiroz quem avisou Danielle que ela seria exonerada do gabinete de Flávio Bolsonaro.

Segundo Paulo Marinho revelou à jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, Flávio o procurou transtornado uma semana depois do primeiro turno da eleição de 2018 para contar que soube da investigação da "rachadinha" e pedir orientação. Marinho contou também que o então deputado contou o fato ao pai, Jair Bolsonaro, na época deputado federal, que recomendou a demissão de Queiroz.

No mesmo 15 de outubro, Fabrício Queiroz foi exonerado da Alerj e a filha, Nathalia Queiroz, foi exonerada do gabinete de Jair Bolsonaro na Cãmara dos Deputados.

*ERRATA: Ao contrário do que constava da matéria, Márcia Cristina Nascimento dos Santos não é mulher de Fabrício Queiroz. O texto foi corrigido.

Chico Alves