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Ideal é ministro ir ao Congresso espontaneamente, diz Maia sobre dossiê

Presidente da Câmara, Rodrigo Maia - ADRIANO MACHADO
Presidente da Câmara, Rodrigo Maia Imagem: ADRIANO MACHADO
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

03/08/2020 20h16

A desistência do ministro da Justiça, André Mendonça, de prestar esclarecimentos ao Senado sobre o dossiê preparado pela pasta com informações de 579 policiais antifascistas e quatro professores universitários vai na contramão da expectativa dos caciques do Parlamento. Mendonça tinha prometido dar explicações aos senadores, mas voltou atrás, alegando que não seria apropriado tratar de assunto sigiloso em um encontro virtual aberto ao público.

Para o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o governo ainda não deu esclarecimentos suficientes sobre o dossiê. "Resposta até agora não foi satisfatória", disse Maia à coluna.

Há três pedidos de convocação de Mendonça feito pelos deputados, nenhum deles foi votado. "O ideal seria o ministro ir de forma espontânea ao Congresso Nacional", reforça o presidente da Câmara.

A existência de um relatório de inteligência sobre policiais antifascistas e quatro acadêmicos foi revelada pelo jornalista Rubens Valente, em matéria publicada aqui no UOL.

Em entrevista concedida ontem à GloboNews, o ministro da Justiça se disse disposto a esclarecer aos parlamentares as dúvidas sobre o dossiê, mas hoje mudou de posição.

André Mendonça alega que a confecção desse tipo de relatório é atividade de rotina na Secretaria de Operações Integradas da pasta que dirige. No entanto, o ex-ministro da Justiça de Dilma Rousseff, José Eduardo Cardozo, desmentiu essa informação.

"Pelo que se vê por aquele dossiê, transformaram a política de segurança pública em uma política persecutória, escolhendo adversários políticos para ensejar, em tese, a possibilidade de políticas absolutamente abusivas", disse Cardozo à coluna.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.