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Polícia do Rio não avançou na investigação do ataque à Porta dos Fundos

Retrato de Eduardo Fauzi usada em cartaz de "procurado" após atentado à produtora Porta dos Fundos - Reprodução
Retrato de Eduardo Fauzi usada em cartaz de "procurado" após atentado à produtora Porta dos Fundos Imagem: Reprodução
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

05/09/2020 11h44

Apontado como um dos participantes do ataque com coquetéis molotov à sede da produtora Porta dos Fundos, em dezembro de 2019, no Rio, Eduardo Fauzi foi preso ontem na Rússia, para onde fugiu logo depois do atentado. Nesses oito meses de estadia russa de Fauzi, pouco avançaram por aqui as investigações da polícia fluminense para elucidar o crime.

O ataque teve como pretexto a desaprovação ao especial de Natal do Porta dos Fundos, "A Primeira Tentação de Cristo", em que Jesus é retratado com gay. A ação do grupo de cinco pessoas foi captada pela câmera de segurança e Fauzi era o único que não estava com a cabeça coberta por capuz, o que permitiu identificá-lo com facilidade.

Nenhum outro integrante do bando teve identidade descoberta, apesar de Fauzi pertencer a um grupo que seria uma espécie de milícia que explora os guardadores de carros em bairros da cidade, os flanelinhas.

A delegada responsável pela investigação, Cristiana Bento, assumiu o caso em meados de junho, depois que saiu o delegado Marco Ribeiro, que investigava o crime até então.

"Diligências foram determinadas e perícias realizadas, estamos aguardando o resultado", disse a delegada à coluna, no mês passado.

Após o atentado, um vídeo foi divulgado por um grupo que se identificou como "Comando de Insurgência Popular Nacionalista da Grande Família Integralista Brasileira", assumindo a autoria.

Além de integrante da Frente Integralista Brasileira (de onde foi expulso após o atentado), Fauzi participava de outro grupo que defendia as ideias do integralismo, que nada mais é que a adaptação do fascismo aos símbolos nacionais. Há vídeos de reuniões em que aparecem entre 15 e 20 pessoas.

Apesar disso, a polícia não sabe se algum dos que aparecem nas imagens foram cúmplices de Fauzi.

Não há previsão de conclusão do inquérito.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.