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Chico Alves

PSOL denuncia a Procuradoria curso para policiais que exalta chacina

Curso Alfacon - Reprodução de vídeo
Curso Alfacon Imagem: Reprodução de vídeo
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

29/10/2020 18h39

O PSOL encaminhou ofício à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, ligada à Procuradoria-Geral da República, pedindo que seja investigado o curso AlfaCon, que prepara alunos para concursos da Polícia Militar, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal. Recentemente, voltaram a circular nas redes sociais vídeos das aulas em que professores do curso defendem o extermínio de criminosos e seus filhos, sugerem a tortura e disseminam a transfobia.

O preparatório, instalado em São Paulo e no Paraná, foi citado no noticiário na semana passada, quando circulou um vídeo gravado em 2018 pelo então candidato Jair Bolsonaro recomendando-o aos estudantes. Uma propaganda com direito a logotipo e telefone de contato.

O documento, assinado por 10 deputados federais psolistas, cita aulas gravadas em que os "professores" ensinam os alunos a agir de forma bárbara. Em um deles, um homem, que o texto do PSOL identifica como Norberto Florindo, diz aos alunos o que fazer em ação policial, baseado em sua experiência: "Uma vagabunda criminosa só vai gerar o que? Um vagabundinho criminoso. Por isso quando entrava chacinando, eu matava todo mundo: mãe, filho, bebê".

Antes, o "mestre" apresenta as credenciais, dizendo que no curso foi ele quem mais matou e mais torturou em seus 28 anos na polícia.

Foi em uma sala de aula desse mesmo curso que o filho do presidente, Eduardo Bolsonaro, disse que seria possível fechar o STF "usando um soldado e um cabo".

No texto enviado à PCDF, os dirigentes do PSOL argumentam que "apesar das denúncias amplamente divulgadas pela imprensa, não houve até o momento nenhum tipo de responsabilização dos atos criminosos pelas autoridades competentes".

Os parlamentares pedem à Procuradoria "a requisição de informações e acompanhamento das eventuais investigações e/ou procedimentos análogos em curso sobre o caso junto ao Ministério Público de São Paulo e do Paraná, à Corregedoria de Justiça da Polícia Militar de São Paulo e à Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo".

Caso não haja investigação, o ofício pede que sejam tomadas providências legais relativas à omissão dos órgãos de controle.

Assinam o documento os deputados Marcelo Freixo, Fernanda Melchiona, Edmilson Rodrigues, Glauber Braga, Sâmia Bonfim, Talíria Petrone, David Miranda, Ivan Valente, Luiza Erundina e Áurea Carolina.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.