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Chico Alves

Carlos Fernando, ex-Lava Jato, defende Moro: "Não vai viver de luz do sol"

O ex-procurador regional da República Carlos Fernando dos Santos Lima  - Imagem/Divulgação
O ex-procurador regional da República Carlos Fernando dos Santos Lima Imagem: Imagem/Divulgação
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

01/12/2020 15h15

O procurador aposentado Carlos Fernando dos Santos Lima, que se destacou como um dos líderes da força-tarefa da Operação Lava Jato, avalia que não há nada de antiético ou inadequado no novo emprego do ex-juiz Sergio Moro. No domingo, Moro anunciou que será um dos sócios-diretores da consultoria norte-americana Alvarez & Marsal, empresa que atua como administradora judicial do Grupo Odebrecht. A empreiteira foi condenada por ele em várias ações, o que levantou questionamentos sobre se a decisão do ex-juiz feriu ou não a ética.

"É uma falsa discussão, não vejo ligação da atividade dele com a administração da Odebrecht", disse Carlos Fernando, em resposta à coluna. "É um escritório de consultoria grande e Moro tem o direito de trabalhar".

Para o procurador, é da essência da democracia que cada um tenha liberdade de fazer o que a lei não proíbe. "A menos que queiram que Moro vire asceta e vá viver de luz do sol. Ele tem direito a trabalhar honestamente", defendeu.

Carlos Fernando também não tem qualquer restrição ética ao atual cargo do ex-juiz. Argumenta que a escolha da empresa americana para ser administradora legal da Odebrecht ocorreu depois da Lava Jato e foi posterior à saída de Moro.

Depois que se aposentou, em 2018, Carlos Fernando passou a atuar em sociedade com o auditor Roberto Leonel de Oliveira (ex-presidente do Coaf, também aposentado) como consultor de empresas na área de compliance, investigações internas, governança corporativa e acordos de leniência.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.