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Chico Alves

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Medalha de ouro na divulgação de mentiras, Bolsonaro nega ser mentiroso

30.jul.2021 - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido), em discurso no Palácio do Planalto - Adriano Machado/Reuters
30.jul.2021 - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido), em discurso no Palácio do Planalto Imagem: Adriano Machado/Reuters
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

05/08/2021 11h18

Jair Bolsonaro não gostou de saber que o ministro Alexandre de Moraes decidiu incluí-lo no inquérito das fake news. Considerou que está sendo chamado de mentiroso pelo representante do Supremo Tribunal Federal. "Isso é gravíssimo", declarou o presidente.

A decisão de Moraes foi motivada pela saraivada de falsidades que Bolsonaro disparou em sua última live, na qual apresentaria provas de fraudes nas urnas eletrônicas. Não mostrou sequer indício de que isso tenha acontecido. Exibiu apenas uma série de vídeos com lorotas desmentidas anteriormente várias vezes, tanto pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quanto pela imprensa.

Mesmo depois de acionar a Polícia Federal para caçar em seus anais provas de fraude nas urnas eletrônicas, ficou de mãos abanando.

Isso sim, é gravíssimo: um presidente recorrer a mentiras surradas para tentar desacreditar o processo eleitoral de seu próprio país.

Durante a live, soltou várias invencionices. Disse que o sistema eleitoral foi invadido por um hacker que está preso (não é verdade, a invasão ocorreu no sistema administrativo do TSE); que a apuração dos votos é feita numa sala secreta (não é verdade, os boletins dos votos são enviados a todos os partidos); que na eleição de 2014 Dilma e Aécio se alternaram na liderança por 240 vezes (não é verdade, isso aconteceu apenas quatro vezes), entre outras ficções.

Em muitos momentos, admitiu que não tem provas das denúncias que repete desde 2019.

Moraes incluiu Bolsonaro na investigação aberta no ano passado pelas cascatas contadas na última live. Mas essa é apenas uma de várias modalidades de lendas urbanas divulgadas por ele e seus apoiadores.

Bolsonaro conta mentiras em várias frentes e em profusão. A ONG internacional Artigo 19 divulgou na semana passada relatório segundo o qual o presidente da República do Brasil mentiu 1682 vezes durante o ano de 2020.

É um recorde mundial. Se as fábulas fossem modalidade olímpica, Bolsonaro já teria garantida medalha de ouro.

O presidente não liga a mínima para quem aponta suas lorotas. Diariamente inventa histórias sobre as vacinas, tratamento precoce, Amazônia, fundo eleitoral... Basta escolher o tema.

Diante disso, é difícil entender o motivo pelo qual Bolsonaro se mostrou tão revoltado com sua inclusão por Moraes no inquérito das fake news.

Pensando bem, até mesmo essa tal "revolta" não deve ser verdadeira.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL