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Chico Alves

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Amigo de Bolsonaro chama militares da reserva para ato de apoio em Brasília

Jair Bolsonaro e Waldir Ferraz - Reprodução YouTube
Jair Bolsonaro e Waldir Ferraz Imagem: Reprodução YouTube
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

11/08/2021 04h00

Depois do criticado desfile de soldados e tanques que foram saudá-lo na manhã de ontem à porta do Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro já tem prevista na agenda a próxima solenidade militar. Será na celebração do Dia do Soldado, no dia 25, à frente do Quartel-General do Exército, em Brasília. Para esse evento, um amigo muito próximo de Bolsonaro convocou e cadastrou militares da reserva de todo Brasil que deverão comparecer para demonstrar apoio ao presidente da República.

O responsável por arregimentar esses simpatizantes é Waldir Ferraz, velho conhecido do presidente e sua família. Foi ele o organizador da motociata em homenagem a Bolsonaro no Rio. Também tratado pelo apelido de Jacaré, Waldir disparou há algumas semanas mensagens no WhatsApp e redes sociais fazendo a convocação.

Em uma das mensagens, sobre a imagem de uma criança envolta na bandeira brasileira, aparece o texto: "Agradeço a adesão de todos os reservistas das FFAA (Forças Armadas) que se dispuserem em comparecer (sic) em Brasília no dia 25/08 em apoio ao presidente da República". As inscrições se encerraram na segunda-feira, 9.

Waldir contou à coluna que é difícil precisar quantos militares aposentados realmente comparecerão. "Espero pelo menos uns 10 mil ou 15 mil, mas o resultado a gente só vê na hora", estima ele. "Vai ser uma espécie de caravana, com ônibus alugados".

Segundo o organizador do encontro, Bolsonaro não tem nada a ver com a iniciativa. A ideia e execução seriam de responsabilidade dos próprios apoiadores.

Ele adianta que o plano é que os simpatizantes formem um corredor para o presidente passar de manhã, quando sair do Palácio da Alvorada para ir ao Forte Apache, como é conhecido o QG do Exército. Depois, todos seguem para o local da solenidade.

"O pessoal está convocado para mostrar força, para mostrar que está do lado do presidente", explica Waldir. Haverá também encontro de Bolsonaro com os companheiros de turma de 1977 da Academia Militar das Agulhas Negras.

A caravana de reservistas pode ser definida como uma manifestação?

"O pessoal encara como quiser. Alguns vão ficar com a pulga atrás da orelha com esses reservistas todos, vão ficar preocupados. Não querem dizer que ele quer dar o golpe a todo custo? Deixa eles pensarem", diz Waldir, despreocupadamente.