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Chico Alves

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Frente evangélica se divide sobre Bolsonaro dizer que Cristo teria pistola

Presidente Jair Bolsonaro gesticula fazendo armas durante evento em Brasília - REUTERS/Andressa Anholete
Presidente Jair Bolsonaro gesticula fazendo armas durante evento em Brasília Imagem: REUTERS/Andressa Anholete
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

17/06/2022 04h00

Integrantes da Frente Parlamentar Evangélica, grupo de 195 deputados federais e sete senadores, se dividiram nas reações à declaração do presidente Jair Bolsonaro, para quem Jesus Cristo "não comprou pistola porque não tinha". A declaração de Bolsonaro foi feita na quarta-feira (15) em encontro com religiosos no Palácio do Planalto.

Para Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), presidente da frente, esse não é um assunto que agrada muitos aos evangélicos. "Mas também não somos desarmamentistas. Nesse assunto, a maioria dos evangélicos não está em nenhum dos dois extremos", diz. Cavalcante não analisou com mais detalhes a menção de Bolsonaro a Cristo. Disse apenas: "Uma típica declaração de quem é pró-armas".

Já o deputado Luis Miranda (Republicanos-DF), vice-presidente da frente, acredita que Bolsonaro demonstra total afastamento do Cristianismo em vários momentos. "Mas principalmente quando ele afirma que Cristo de alguma forma utilizaria de força ou de uma arma de fogo para se defender, quando o maior exemplo que Cristo deu quando levou um tapa no rosto foi dar a outra face. Estava disposto a entregar sua própria vida, como fez, para salvar os pecados do seu povo, do povo de Deus", diz ele.

Miranda afirma que Jesus jamais utilizaria de qualquer arma de fogo. "Porque o exemplo que Cristo quis dar foi o da paz, essa que Bolsonaro desconhece", critica ele.

Marcos Feliciano, deputado do PL de São Paulo, relativizou a declaração do presidente. "Obviamente Bolsonaro, que sempre defendeu a autodefesa, apenas contextualizou. Qualquer outra interpretação é pura má-fé", argumenta Feliciano.

O deputado lembra que na Bíblia Jesus usou um chicote, derrubou mesas, foi contra a vingança ao ensinar sobre dar a outra face, mas em Lucas 22:36 ele mandou seus discípulos comprarem espadas, "claramente para se defenderem de salteadores e bestas feras". "Não havia arma de fogo naquela época e a espada era a arma mais utilizada, quer seja por aldeões ou soldados. E se existisse arma de fogo em lugar da espada?", questiona.

Já o bispo da Igreja Universal do Reino de Deus e deputado Gilberto Abramo (Republicanos-MG) discorda. "A meu ver, esse comentário deixa claro o desconhecimento da verdadeira intenção de Cristo ter vindo a este mundo", acredita. "O objetivo de Cristo nessa terra foi justamente tentar fazer com que o homem se aproximasse do pai, essa é a mais pura realidade. E não faria sentido algum ter que fazer uso de arma para poder alcançar esse objetivo. Não diria que é uma mensagem de paz, mas sim uma mensagem de resgate, ele tentou resgatar o homem para o pai".