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Sem canal com Moro, Damares se afina com ministro terrivelmente evangélico

10.set.2019 -  Damares Alves, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos do Brasil - RENATO COSTA /FRAMEPHOTO/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO
10.set.2019 - Damares Alves, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos do Brasil Imagem: RENATO COSTA /FRAMEPHOTO/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO
Constança Rezende

É colunista do UOL em Brasília. Passou pelas redações do Estadão no Rio de Janeiro, O DIA e Jornal do Commercio.

Colunista do UOL

01/05/2020 04h00

A escolha de André Mendonça para o Ministério da Justiça foi incentivada e comemorada pela ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves. Segundo pessoas próximas à ministra, ela foi de uma relação nem sempre receptiva com o ex-ministro Sergio Moro para uma de afinidade com o ministro Mendonça.

Os dois ministros "terrivelmente evangélicos" do presidente Jair Bolsonaro já discutem ações conjuntas voltadas ao combate ao abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes. Também devem ganhar força medidas contra a violência doméstica.

Segundo interlocutores da ministra, outra frente defendida por Damares é a apresentação de um projeto de lei que prevê o agravamento de pena para crimes sexuais cometidos por líderes religiosos ou por pessoas próximas à vítima, como médicos e professores.

Este teria sido um dos pontos que causaram rusgas entre a ministra e Sergio Moro. Assessores lembram que Damares levou um grupo para se reunir com o ex-juiz para discutir o projeto, mas que este só o recebeu por alguns minutos. A situação teria deixado a ministra constrangida.

Depois, Moro teria priorizado a aprovação de seu pacote anticrime e deixado o projeto defendido por Damares na gaveta.

Em entrevista à rádio Bandeirantes nesta terça-feira, Damares também disse que Bolsonaro cobrou da gestão de Moro ações mais efetivas para o combate a violações de direitos humanos durante a pandemia de coronavírus.

"Não quero entrar nessa polêmica, mas na nossa reunião que antecedeu a demissão, foi cobrado do [ex] ministro Moro", disse. "O presidente queria uma reação do ministério, e ele não vinha. Ele estava esperando muito isso", complementou.

Já a sintonia entre Mendonça e Damares foi sentida durante o discurso de posse do novo ministro, na última quarta-feira. Mendonça enfatizou que o Ministério da Justiça atuará em conjunto com o Ministério da Mulher. O ex-advogado-geral da União foi aplaudido de pé pela ministra após a sua fala.

Bolsonaro também citou a dupla durante a cerimônia, ao comentar a religiosidade do ministro da Justiça. "Depois da Damares, terrivelmente evangélico", brincou.