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Em dia de recorde de mortes, Saúde diz que país bateu marca de recuperados

Constança Rezende

É colunista do UOL em Brasília. Passou pelas redações do Estadão no Rio de Janeiro, O DIA e Jornal do Commercio.

Colunista do UOL

19/05/2020 21h54

No dia em que o país bateu o recorde de 1.179 mortes registradas em 24 horas pelo novo coronavírus, o Ministério da Saúde focou sua estratégia de comunicação na divulgação do total de pacientes recuperados da covid-19 e na sua campanha de doação de leite materno.

A pasta deu ênfase no número de pacientes curados da doença, na nota publicada em seu portal, e afirmou que o Brasil "bateu a marca de 100 mil casos recuperados".

"Sobe para 106.794 o número de pessoas recuperadas da covid-19. O número representa 39,3% do total de casos confirmados no Brasil. Nas últimas 24h, 6.335 pessoas se recuperaram da doença. As informações foram atualizadas até as 19h desta terça-feira (19/5)", diz o título e o início da nota.

Apenas na segunda linha do segundo parágrafo, o ministério informou, timidamente, o recorde de 17.971 óbitos da doença e 1.179 contabilizados nesta terça.

O órgão também não realizou a coletiva técnica para explicar os números à imprensa, como fazia a gestão do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta — a pasta atualmente está sem ministro.

Na entrevista realizada nesta tarde no Planalto, representantes da pasta preferiram dar explicações sobre a campanha de doação de leite do ministério.

A apresentação foi encerrada uma hora antes da divulgação dos novos números da doença e os jornalistas não puderam fazer perguntas sobre os dados. O ministro interino da pasta, o general Eduardo Pazuello, não compareceu.

"Hoje, é uma data muito importante, é o Dia Nacional de Doação do Leite Materno. E por isso, o Ministério da Saúde está lançando a campanha 'Doe leite materno. Nessa corrente pela vida, cada gota faz a diferença'", disse a secretária substituta de Atenção Primária à Saúde, Daniela Ribeiro.

O ministério também não divulgou o balanço da doença em suas redes sociais, como costumava fazer. Questionada, a pasta não respondeu se mudou sua estratégia de comunicação sobre a pandemia no país.