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Diogo Schelp

Isolamento pode evitar mais de 89.000 mortes em São Paulo, diz estudo

06.04.2020 - Paciente chega no Hospital de Campanha no Estádio do Pacaembu em São Paulo (SP), nesta segunda-feira (6). Local passa a receber exclusivamente, pacientes com suspeita ou confirmados de estarem com a Covid-19, do novo coronavírus - Ettore Chiereguini/Futura Press/Estadão Conteúdo
06.04.2020 - Paciente chega no Hospital de Campanha no Estádio do Pacaembu em São Paulo (SP), nesta segunda-feira (6). Local passa a receber exclusivamente, pacientes com suspeita ou confirmados de estarem com a Covid-19, do novo coronavírus Imagem: Ettore Chiereguini/Futura Press/Estadão Conteúdo
Diogo Schelp

Diogo Schelp é jornalista com 20 anos de experiência. Foi editor executivo da revista VEJA e redator-chefe da ISTOÉ. Durante 14 anos, dedicou-se principalmente à cobertura e à análise de temas internacionais e de diplomacia. Fez reportagens em quase duas dezenas de países. Entre os assuntos investigados nessas viagens destacam-se o endurecimento do regime de Vladimir Putin, na Rússia, o narcotráfico no México, a violência e a crise econômica na Venezuela, o genocídio em Darfur, no Sudão, o radicalismo islâmico na Tunísia e o conflito árabe-israelense. É coautor dos livros ?Correspondente de Guerra? (Editora Contexto, com André Liohn) e ?No Teto do Mundo? (Editora Leya, com Rodrigo Raineri).

Colunista do UOL

08/04/2020 12h52

As medidas de distanciamento social precoce adotadas na região metropolitana de São Paulo podem evitar mais de 89.000 mortes por covid-19 no intervalo de dois meses, mostra estudo divulgado nesta quarta-feira (8) por um grupo de oito pesquisadores, alguns dos quais integraram a equipe do ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta até recentemente.

O estudo calculou a taxa de transmissão do vírus na cidade, ou seja, a média de pessoas infectadas por cada indivíduo com a doença, ao longo das últimas semanas, desde o registro do primeiro caso confirmado, em 26 de fevereiro, e fez uma projeção do número de leitos em UTI necessários para lidar com a epidemia.

Com as medidas de distanciamento social que foram adotadas voluntariamente ou por medidas governamentais desde meados de março, o estudo projeta um total de 1.999 mortos por covid-19 até o final de abril.

Sem as medidas de isolamento, no entanto, a pandemia causaria 1.783 mortes nos primeiros 30 dias e 89.349 no segundo mês.

A explicação está na capacidade da rede de saúde da Grande São Paulo de absorver os casos graves da doença. Na hipótese da ausência de medidas de distanciamento social, o número de pacientes graves seria mais que o dobro dos leitos em UTI disponíveis nos primeiros 30 dias — e 14 vezes nos 30 dias seguintes. Ou seja, o sistema de saúde entraria em colapso.

Com as medidas de distanciamento em curso, porém, as Unidades de Terapia Intensiva existentes dão conta da demanda.

Um dos dados mais reveladores do estudo é o impacto das medidas de distanciamento social (cancelamento de eventos com grande número pessoas, fechamento de escolas e de comércio) na taxa de transmissão do vírus (chamado de "número básico de reprodução"). Antes de os moradores de São Paulo começarem a ficar em casa, este número estava perto de 2. Ou seja, cada caso de covid-19 gerava outros dois pacientes. Durante o período de adoção das medidas de distanciamento social, porém, a taxa caiu para perto de 1.

O estudo é assinado por Fabiana Ganem, Victor Bertollo Gomes Porto, Silvano Barbosa de Oliveira, Fabio Macedo Mendes, Wildo Navegantes de Araújo, Helder I. Nakaya, Fredi A. Diaz-Quijano e Júlio Croda.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL