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Diogo Schelp


Decotelli não fez pós-doc na Alemanha, diz universidade

Diogo Schelp

Diogo Schelp é jornalista com 20 anos de experiência. Foi editor executivo da revista VEJA e redator-chefe da ISTOÉ. Durante 14 anos, dedicou-se principalmente à cobertura e à análise de temas internacionais e de diplomacia. Fez reportagens em quase duas dezenas de países. Entre os assuntos investigados nessas viagens destacam-se o endurecimento do regime de Vladimir Putin, na Rússia, o narcotráfico no México, a violência e a crise econômica na Venezuela, o genocídio em Darfur, no Sudão, o radicalismo islâmico na Tunísia e o conflito árabe-israelense. É coautor dos livros ?Correspondente de Guerra? (Editora Contexto, com André Liohn) e ?No Teto do Mundo? (Editora Leya, com Rodrigo Raineri).

Colunista do UOL

29/06/2020 09h46Atualizada em 29/06/2020 16h26

O ministro da Educação Carlos Alberto Decotelli da Silva não fez pós-doutorado entre 2015 e 2017 na Universidade de Wuppertal, na Alemanha, ao contrário do que consta em seu currículo Lattes. A informação foi dada pela assessoria de imprensa da própria universidade a pedido da coluna.

Eis a resposta completa da universidade alemã:

"Carlos Decotelli veio para a cadeira da profa. Dra Brigitte Wolf para uma pesquisa de três meses em 2 de janeiro de 2016. Até 2017 ela era professora de teoria do design, com foco em metodologia, planejamento e estratégia na Universidade de Wuppertal e agora é emérita.

Ele não adquiriu nenhum título em nossa universidade. A Universidade de Wuppertal não pode fazer nenhuma declaração sobre títulos obtidos no Brasil".

Além da negativa referente ao pós-doutorado, há também divergência de datas. Em seu currículo acadêmico, Decotelli informa que o pós-doutorado em Wuppertal foi realizado entre 2015 e 2017, mas a universidade informa que ele só passou três meses na instituição, no início de 2016.

Procurada pela coluna, a assessoria de imprensa do Ministério da Educação informou que está preparando uma nota com o posicionamento oficial a respeito da questão.

Esse é terceiro questionamento a respeito das credenciais acadêmicas do ministro Carlos Decotteli da Silva.

Depois que o presidente Jair Bolsonaro publicou no Twitter um resumo do currículo do seu novo ministro, informando que ele tem doutorado pela Universidade de Rosário, na Argentina, e pós-doutorado pela Universidade de Wuppertal, na Alemanha, o reitor da instituição argentina, Franco Bartolacci, negou que ele tivesse obtido o título de doutor. Bartolacci disse que a tese de doutoramento de Decotelli foi reprovada.

Em seguida, começaram a surgir indícios fortes de plágio na dissertação de mestrado do agora ministro.

O pós-doutoramento é um estágio de pesquisa feito por um acadêmico que já possui doutorado. Independente das informações prestadas pela Universidade de Wuppertal, Decotelli não poderia ostentar um pós-doutoramento em seu currículo sem ter obtido antes um título de doutor.

Mentir no currículo Lattes, uma plataforma oficial online mantida pelo CNPq, órgão do Ministério de Ciência e Tecnologia, é considerado uma falta grave no meio acadêmico. Apesar de não ser tipificável como crime de falsidade ideológica, pode render demissão de instituições de ensino.

Diogo Schelp