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Diogo Schelp

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Primeira sessão de CPI sugere tempos difíceis pela frente para governo

Diogo Schelp

Diogo Schelp é jornalista com 20 anos de experiência. Foi editor executivo da revista VEJA e redator-chefe da ISTOÉ. Durante 14 anos, dedicou-se principalmente à cobertura e à análise de temas internacionais e de diplomacia. Fez reportagens em quase duas dezenas de países. Entre os assuntos investigados nessas viagens destacam-se o endurecimento do regime de Vladimir Putin, na Rússia, o narcotráfico no México, a violência e a crise econômica na Venezuela, o genocídio em Darfur, no Sudão, o radicalismo islâmico na Tunísia e o conflito árabe-israelense. É coautor dos livros ?Correspondente de Guerra? (Editora Contexto, com André Liohn) e ?No Teto do Mundo? (Editora Leya, com Rodrigo Raineri).

Colunista do UOL

27/04/2021 15h52

A julgar pelo desempenho da "tropa de choque" de senadores governistas na primeira sessão da CPI da Covid, realizada nesta terça-feira (27), os interesses do presidente Jair Bolsonaro estarão mal representados ao longo das investigações sobre as ações e omissões de seu governo na pandemia.

Minoria da Comissão Parlamentar de Inquérito, os senadores governistas, com a ajuda do filho do presidente e senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), tentaram obstruir a reunião que elegeu Omar Aziz (PSD-AM) como presidente e Randolfe Rodrigues (Rede-AP) como vice e impedir a indicação de Renan Calheiros (MDB-AL) como relator. Subitamente curado do negacionista da família, Flávio Bolsonaro mostrou-se muito preocupado com os protocolos sanitários, argumento usado por ele para a criticar a instalação da CPI.

A tentativa de obstrução foi atropelada pelo arranjo prévio feito pelos membros restantes da CPI, que tem opositores e independentes como maioria. Mais do que isso: a eleição de Aziz contou com o voto do senador governista Ciro Nogueira (PP-PI).

Renan Calheiros, depois de ser acusado de falta de "bom senso" por Flávio Bolsonaro, assumiu seu posto de relator alternando promessas de "imparcialidade" com ataques frontais e laterais ao desempenho do governo na pandemia.

A próxima sessão da CPI está marcada para quinta-feira (29), quando os integrantes vão votar o plano de trabalho apresentado por Calheiros e já fazer os primeiros pedidos de documentos oficiais para embasar a investigação.

Na primeira lista de pedidos de documentação sugerida pelo relator, já consta tudo o que pode estar relacionado com compra de vacinas e insumos, com indícios dos boicotes às medidas de isolamento social e quarentena, com a promoção de medicamentos sem eficácia e com provas de que houve pedido de ajuda de Manaus para evitar o colapso do fornecimento de oxigênio hospitalar no início do ano.

A CPI vai começar com chumbo grosso e o governo está em desvantagem na linha de frente.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL