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ONU denuncia repressão na Bolívia e diz que situação pode sair do controle

Protestos na Bolívia após resultado de eleições ser divulgado - David Mercado/Reuters
Protestos na Bolívia após resultado de eleições ser divulgado Imagem: David Mercado/Reuters
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

16/11/2019 12h34Atualizada em 16/11/2019 12h54

A alta comissária da ONU para Direitos Humanos, Michelle Bachelet, denuncia a repressão e o uso excessivo da força na Bolívia. Numa declaração neste sábado, a chilena alertou que, diante da resposta das forças de segurança, a situação no país sul-americano pode "sair do controle".

A declaração foi feita num momento em que, dias depois da renúncia de Evo Morales, a crise na Bolívia não perdeu força. Entre observadores internacionais, o temor é de que a situação em La Paz acabe criando um segundo foco de intensa instabilidade, depois do caso da Venezuela. A região ainda chama a atenção da comunidade internacional por conta da tensão no Chile e Haiti.

A ONU decidiu fazer o alerta depois da morte de pelo menos oito manifestantes na sexta-feira em Sacaba (Cochabamba), supostamente como resultado do uso de munições letais pelas forças de segurança.

Bachelet quer que s autoridades garantam que as forças de segurança cumpram as normas e padrões internacionais sobre o uso da força, bem como garantam o direito à vida e à integridade física dos manifestantes.

"Temos informações de que pelo menos 17 pessoas morreram no contexto dos protestos, incluindo 14 nos últimos seis dias", disse Bachelet. "Embora as primeiras mortes tenham ocorrido como resultado de confrontos violentos entre manifestantes rivais, as mais recentes parecem resultar de um uso desnecessário ou desproporcional da força por parte da polícia ou do pessoal militar", alertou.

"Condeno estas mortes. Esta é uma evolução extremamente perigosa, porque, longe de apaziguar a violência, é possível que a agrave", acrescentou a Alta Comissária.

"Estou realmente preocupada que a situação na Bolívia possa ficar fora de controle se as autoridades não lidarem com ela cuidadosamente, de acordo com as normas e padrões internacionais que regem o uso da força e com pleno respeito aos direitos humanos", disse a ex-presidente chilena.

"O país está dividido e as pessoas de diferentes setores do espectro político estão indignadas. Em uma situação como esta, as ações repressivas por parte das autoridades simplesmente irão alimentar ainda mais essa raiva, podendo comprometer qualquer possível via de diálogo", indicou.

600 detidos

A ONU ainda está preocupada com as "múltiplas detenções e prisões, incluindo mais de 600 pessoas detidas desde 21 de Outubro, muitas das quais nos últimos dias".

Bachelet quer agora que o novo governo apresente dados sobre o número de pessoas detidas, feridas e mortas durante os protestos. Ela apelou igualmente à realização de investigações "rápidas, imparciais, transparentes e exaustivas para assegurar a plena responsabilização".

Num apelo, a chilena ainda solicitou que as autoridades bolivianas se abstenham de empregar forças militares em operações de aplicação da lei, inclusive durante protestos.

"Esta situação não será resolvida pela força e repressão", advertiu Bachelet. "Todos os sectores têm o direito de fazer ouvir a sua voz, uma questão fundamental para a democracia. Exorto todos os atores, inclusive os manifestantes, para que renunciem à violência", completou.

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