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Jamil Chade


Em trecho inédito de "Democracia em Vertigem", Bolsonaro ataca a cultura

Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

09/02/2020 20h28

Imagens inéditas das entrevistas realizadas por Petra Costa para produzir seu documentário Democracia em Vertigem revelam o então deputado Jair Bolsonaro crítico da cultura no Brasil e desdenhando o cinema nacional. O material foi produzido pela equipe da cineasta brasileira e obtido pela coluna.

Enquanto filmava em Brasília, em 2016, a cineasta acompanhou por mais de duas horas Bolsonaro pelos corredores do Congresso. O material não entrou na íntegra na versão final do documentário, que optou por focar o roteiro principalmente no processo de impeachment de Dilma Rousseff.

"Eu não recriaria o Ministério da Cultura", disse o então deputado sobre seus planos de governo. "Gastam quase R$ 2 bilhões por ano para produzir nada", criticou.

Bolsonaro tinha uma ideia melhor do que fazer com o dinheiro: aparelhar policiais pelo Brasil.

Nas imagens inéditas e que não fizeram parte do documentário final, ele ainda defende a censura contra certas músicas e insiste que nunca houve golpe militar no país.

Mas, ironicamente, é quando fala de cinema que Bolsonaro deixa claro seus ataques. "O que a cultura produz de bom para o Brasil?", questionou. "Qual o filme está concorrendo em Cannes para ganhar o Oscar? Ou seja la o que for?", insistiu.

Neste domingo, o desejo de Bolsonaro em ver um filme brasileiro na corrida por uma estatueta se transformou em realidade, justamente com a produção de Petra Costa. Sua nomeação, porém, foi criticada pelo governo, que o chamou de "ficção", enquanto o Planalto usou seus serviços de comunicação para acusa-la de ser uma "militante anti-Brasil".

Jamil Chade