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Jamil Chade


OMS retoma testes com hidroxicloroquina, ainda sem eficácia comprovada

8.abr.2020 - Farmacêutica segura embalagem de Plaquénil, hidroxicloroquina produzida pela empresa francesa Sanofi - Alain Pitton/NurPhoto via Getty Images
8.abr.2020 - Farmacêutica segura embalagem de Plaquénil, hidroxicloroquina produzida pela empresa francesa Sanofi Imagem: Alain Pitton/NurPhoto via Getty Images
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

03/06/2020 13h09Atualizada em 03/06/2020 14h48

A OMS (Organização Mundial da Saúde) volta a testar a hidroxicloroquina em seus programas pelo mundo na busca de um tratamento para pacientes diagnosticados com o coronavírus. Os testes tinham sido suspensos na semana passada para que os dados sobre a segurança do remédio fossem avaliados. Tal decisão havia sido tomada depois que um estudo publicado na revista científica The Lancet alertou sobre os riscos da cloroquina, indicando um aumento da mortalidade nos pacientes que receberam o tratamento.

Governos como o da França optaram por interromper todo o uso do remédio depois do anúncio da OMS. Agora, com base nos dados de mortalidade, a agência indicou que não haveria motivo para suspender os testes e autorizou que fossem retomados.

Isso não significa, porém, que a OMS esteja recomendando o uso do remédio. Para isso, as evidências científicas de que o remédio funciona ainda terão de ser apresentadas, o que promete levar meses.

Segundo a agência, hoje não existem provas ou evidências de que o tratamento reduza a mortalidade em pessoas com o vírus e nem que proteja aqueles que não foram infectados. Michael Ryan, chefe de operações da OMS, pediu ainda cautela em relação às conclusões sobre o impacto do tratamento.

Soumya Swaminathan, cientista-chefe da OMS, confirmou que não existem provas de que um tratamento reduza a mortalidade das pessoas contaminadas pela covid-19.

"Temos de ser cautelosos. Quando suspendemos, era com base em aumento de mortalidade descrito num estudo", disse. "Agora, temos confiança de que não vimos diferenças de mortalidade e recomendou-se que os testes podem continuar", afirmou.
Ela, porém, deixou claro: "ainda estamos falando em testes clínicos".

A OMS não recomenda, por enquanto, o uso do remédio. "Só fazemos isso com base em evidências. São coisas muito diferentes", afirmou.

"O mundo precisa ter uma resposta definitiva se ele funciona ou não", apontou.

A decisão foi anunciada horas depois que uma reportagem do jornal The Guardian revelou que os dados usados no estudo publicado na revista The Lancet vinham de uma empresa desconhecida. As descobertas colocaram em questão a credibilidade do levantamento. A revista tomou um posicionamento de distância em relação ao estudo. Mas seus autores indicaram que, apesar de problemas com certos dados, o resultado final deveria ser mantido.

No Brasil, o governo modificou o protocolo do Ministério da Saúde para recomendar o remédio, o que abriu uma disputa entre ex-ministros da pasta e o Palácio do Planalto. No fim de semana, Brasil e Estados Unidos ainda anunciaram um acordo para o envio de 2 milhões de doses do remédio aos brasileiros.

A OMS, ainda assim, insiste que não recomenda nem para tratamento e nem para prevenção.

Durante a coletiva de imprensa, Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, ainda afirmou que está "especialmente preocupado" com a "transmissão que se acelera" na América do Sul e Central. Segundo ele, com mais de cem mil casos por dia nos últimos cinco dias, as Américas têm os maiores números de casos.

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