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Jamil Chade


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Líbano pede comida, remédios, dinheiro e até vidro ao Brasil

Os bombeiros libaneses apagam incêndio no local de uma explosão no porto da capital Beirute - 4 de agosto de 2020 - STR / AFP
Os bombeiros libaneses apagam incêndio no local de uma explosão no porto da capital Beirute - 4 de agosto de 2020 Imagem: STR / AFP
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

06/08/2020 19h49Atualizada em 07/08/2020 07h32

O governo do Líbano entregou cartas a diferentes grupos em São Paulo, com listas de bens e de produtos que precisaria de forma emergencial. O objetivo é a de conseguir que a imensa comunidade de descendentes de libaneses no país contribua para a crise que atravessa o Líbano e, em um segundo momento, para reconstruir a capital atingida por uma explosão nesta semana.

Numa carta obtida pela coluna, o consulado do Líbano em São Paulo enumera os pontos principais do plano de socorro.

"A explosão, como todo mundo viu, deixou o país numa situação de calamidade lamentável", escreveu o governo. "Já estava passando por uma crise econômica série, uma pandemia difícil e, para piorar, teve a destruição em massa de habitações, de hospitais, depósitos para alimentos no porto além de feridos e dos mortos", apontou.

Beirute, assim, pede uma "ajuda médica de qualquer tipo - hospitais de campanha, material cirúrgico e especialmente medicamentos".

O governo solicita ainda alimentos, incluindo trigo, farinha, "todo tipo de grãos" e enlatados. Isso seria necessário "até poder repor o que foi queimado nos depósitos portuários".

O país também diz que precisa de material de construção, além de vidro, alumínio e material elétrico.

Diante da perda de emprego e moradia por milhares de pessoas, Beirute indica que uma "ajuda monetária será bem-vinda".

O consulado, na carta, admite que sabe das "dificuldades que o país (Brasil) está passando". Mas pede uma ajuda para o povo libanês se "reerguer".

Há também uma longa lista de remédios solicitados. Eles incluem insulinas, anti-coagulantes,
antibióticos, todos os tipos de vacinas, remédios para oncologia, analgésicos e dezenas de outros produtos médicos.

Nesta quinta-feira, hospitais de São Paulo, entidades de classe, clubes e outras organizações se reuniram para começar a estabelecer um plano de ajuda com base na lista fornecida pelo governo de Beirute.

A ideia é de que essas entidades coordenem essa coleta de dinheiro e que comprem o material solicitado. Enquanto isso, Brasília colocaria à disposição um avião da FAB para fazer o transporte, já no início da semana que vem.

Apesar da operação, o Brasil não conta com um embaixador no Líbano desde a primeira metade de 2019, algo que vem causando irritação dentro do próprio Itamaraty, diante do reconhecimento da importância da relação entre os dois países.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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