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Embaixada do Brasil em Paris é alvo de protesto para marcar 7 de setembro

Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

07/09/2020 10h59

A embaixada do Brasil em Paris foi alvo de um protesto neste 7 de setembro, dia em que se comemora a independência do Brasil. Na França, o Itamaraty conta com um dos maiores defensores do bolsonarismo no exterior, o embaixador Luis Fernando Serra. Há poucos meses, ele criticou o jornal Le Monde pela cobertura realizada sobre a pandemia no Brasil.

O ato, nesta segunda-feira, contou com fumaça preta e vermelha, numa referência ao anti-fascismo. O protesto foi organizado por artistas e militantes brasileiros residentes na Europa.

No canteiro central da rua diante do prédio da embaixada, uma fileira de pessoas, em silêncio e vestidas de preto, simbolizava o luto pelos mortos pelo Covid e pelas outras vitimas das medidas do governo Bolsonaro, consideradas pelo grupo como sendo "genocidas".

Essa não é a primeira vez que o local é alvo de um protesto. Em maio, a embaixada amanheceu com cartazes em protestos contra o presidente Jair Bolsonaro. No muro do local, num dos bairros mais sofisticados da capital francesa, placas e cartazes pediam a saída do presidente, com bandeiras brasileiras com cores negras. O autor do protesto foi o artista Julio Villani.

Os protestos contra embaixadas brasileiras no exterior passaram a ser uma nova realidade das missões do país no exterior. Durante a reunião do G-7, protestos pelo mundo traziam fotos de Bolsonaro e a Amazônia em chamas.

Em setembro de 2019, o consulado do Brasil na cidade de Zurique amanheceu pichado de cores vermelhas, às vésperas do encontro mundial na ONU sobre o clima, e com vidros quebrados.

Antes, foi a embaixada do Brasil em Londres que foi alvo de atos parecidos. Em Berlim, a embaixada do País já havia sido pichada em duas ocasiões, com frases de ataques a "fascistas".

A polícia da Alemanha investiga se existe alguma motivação política que explique os incidentes contra a representação brasileira.

De acordo com o inquérito inicial, pessoas quebraram os vidros da entrada do prédio e uma tinta rosa e negra foi jogada contra o muro. O incidente teria ocorrido de madrugada, deixando 16 janelas quebradas. Segundo a imprensa local, os danos podem ter chegado a 100 mil euros.

A segurança do prédio indicou para a polícia que quatro pessoas fizeram parte do ataque, com barras de ferro, extintores e ovos.

Na Nova Zelândia, um escritório brasileiro também foi alvo de um ato. Ao UOL, o Itamaraty confirmou que medidas de segurança tinham sido tomadas em diversos postos pelo mundo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL