PUBLICIDADE
Topo

Jamil Chade

FAO: Brasil foi país que mais perdeu floresta no século 21

Fronteira entre área de cultivo de soja e a floresta amazônica em Mato Grosso - Paulo Whitaker
Fronteira entre área de cultivo de soja e a floresta amazônica em Mato Grosso Imagem: Paulo Whitaker
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

20/10/2020 11h39

O Brasil foi o país que mais perdeu cobertura florestal no mundo em termos absolutos, desde o começo do século 21. Os dados foram publicados pela FAO nesta terça-feira e indicam que 52 milhões de hectares de vegetação foram desmatados.

Os dados, porém, se referem ao período entre o ano 2000 e 2018 e não incluem os anos do governo de Jair Bolsonaro, quando o desmatamento teria sido ainda maior.

Em termos percentuais e em comparação ao território, outros países vivem uma situação mais grave, como o Paraguai, que perdeu 16% de sua área florestal em duas décadas.

Mas os números absolutos sobre o Brasil reforçam os temores entre líderes internacionais de que, diante da atual política do governo, as taxas de desmatamento possam ser ainda mais aceleradas.

O comportamento do governo tem sido alvo de duro questionamento por parte de investidores internacionais e mesmo por parte da UE. Diversos governos do Velho Continente e mesmo o Parlamento Europeu já indicaram que não darão seguimento ao acordo comercial entre Mercosul e UE se a situação ambiental brasileira for mantida.

De acordo com a imprensa europeia, Bruxelas já está em negociações com o Brasil e os demais países do Mercosul para negociar compromissos ambientais e, assim, garantir que o acordo negociado por 20 anos possa ser ratificado.

Mas os dados da FAO revelam que a cobertura florestal no Brasil passou de 551 milhões de hectares em 2000 para 511,5 milhões em 2010. Na década seguinte, a queda foi menor. Mas, ainda assim, o total de floresta chegava a 499 milhões de hectares em 2018.

No mesmo período, a área agrícola aumentou de 228 milhões de hectares para 236 milhões de hectares. Já as áreas para outros fins aumentaram de 56 de hectares para 99 milhões de hectares.

Entre os continentes, a constatação da FAO é de que a Europa é a região que mantém a maior área de seu território com cobertura florestal: 46%. Nas Américas, a taxa é de 41%.

Os dados também revelam que mais da metade de toda a terra (54%) na Ásia é ocupada pela agricultura, em comparação com 45% na Oceania, 38% na África, 30% nas Américas e 21% na Europa.

"Tanto a África como as Américas converteram terras florestais em terras agrícolas e/ou outras terras. A Europa e a Ásia foram as únicas regiões que tiveram expansão de terras florestais juntamente com a redução de terras agrícolas de 2000 a 2018", indicou a FAO.

Em termos absolutos, quem mais viu o aumento de sua floresta foi a China, com 39 milhões de hectares extras em 18 anos.

Em termos proporcionais, os maiores aumentos na área florestal entre 2000 e 2018 ocorreram no Vietnã (+9 pontos percentuais), Cuba (+9 pontos percentuais) e Fiji (+7 pontos percentuais).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL