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Jamil Chade

Em gesto diplomático, Tedros deseja "boa recuperação" a Pazuello

Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Gebreyesus, durante entrevista coletiva em Genebra -
Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Gebreyesus, durante entrevista coletiva em Genebra
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

22/10/2020 07h26

O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, declarou nesta quinta-feira pelas redes sociais sua solidariedade ao ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. O chefe da pasta no Brasil foi contaminado pela covid-19.

"Lamento ouvir que o ministro da Saúde do Brasil teve resultado positivo para a Covid-19. Desejo-lhe uma boa recuperação", escreveu Tedros.

O gesto foi interpretado como um sinal claro de que Tedros, apesar de ser criticado pela gestão de Jair Bolsonaro, não irá responder às críticas e, pelo menos publicamente, não irá aprofundar o mal-estar na relação entre a OMS e o Brasil.

Nos últimos meses, o Planalto já distorceu frases de Tedros, o "acusou" de "sequer ser médico" e indicou claramente que não iria seguir as recomendações da OMS.

Na entidade, porém, uma ausência do Brasil de uma coordenação mundial e um nacionalismo por parte do maior país da América Latina seria uma ameaça ao combate à doença.

Não por acaso, a agência não escondeu sua preocupação com a troca de ministros da Saúde em 2020 e chegou a agradecer publicamente Luiz Henrique Mandetta pelos seus serviços ao país.

Não é a primeira vez que Tedros faz um aceno ao Brasil. Quando Bolsonaro anunciou que estava contaminado pelo vírus, o diretor-geral da OMS também mandou uma mensagem de solidariedade. E aproveitou para lembrar que ninguém está imune à covid-19.

Nos bastidores da cúpula da OMS, porém, os termos usados para falar do governo brasileiro são radicalmente diferentes daqueles usados publicamente. "Louco" é uma palavras usadas para se referir ao presidente Bolsonaro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL