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Jamil Chade

Europol e PF fazem maior operação contra narcotráfico do Brasil

Operação internacional é considerada a maior já realizada contra o tráfico de drogas entre Brasil e Europa - Imagem cedida ao UOL
Operação internacional é considerada a maior já realizada contra o tráfico de drogas entre Brasil e Europa Imagem: Imagem cedida ao UOL
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

27/11/2020 12h18

A Europol anunciou nesta sexta-feira que realizou a maior operação de sua história contra o tráfico de drogas entre o Brasil e a Europa. Mais de mil policiais foram mobilizados nesta semana para agir contra o que a agência chamou de um grupo criminoso "altamente profissional". Operações ocorreram em 180 locais diferentes, com 45 pessoas detidas.

De acordo com a Europol, a ação descobriu uma rede responsável pela importação de pelo menos 45 toneladas de cocaína para os principais portos europeus, com lucros de mais de 100 milhões de euros em apenas seis meses.

A operação ocorreu em três países diferentes, com a ação de Portugal, Bélgica e do próprio Brasil. Também participaram a polícia espanhola, a polícia romena e autoridades de Dubai.

Das 45 prisões, 38 ocorreram no Brasil no início da semana, além de outras quatro na Bélgica, uma na Espanha e duas em Dubai. Em Portugal, por exemplo, 12 milhões de euros em dinheiro vivo foram encontrados.

Duas casas ainda foram confiscadas na Espanha, no valor de 4 milhões de euros, além de dois apartamentos em Portugal no valor de 2,5 milhões de euros. Contas de dez pessoas ainda foram congeladas na Espanha.

Cooperação inédita

A iniciativa faz parte da megaoperação realizada nesta semana por parte da PF (Polícia Federal) e da Receita Federal contra o tráfico de drogas. A medida marcou o início de uma cooperação inédita entre as autoridades brasileiras e a Europol, a Agência da União Europeia para Cooperação Policial, com sede na Holanda.

Desde setembro, o ex-superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro, Ricardo Saadi, opera a partir da sede da Europol e servindo como oficial de ligação do país.

"Esta operação destaca a estrutura complexa e o vasto alcance dos grupos de crime organizado brasileiros na Europa", disse o diretor-adjunto da Europol, Wil van Gemert.

"A dimensão do desafio enfrentado hoje em dia pela polícia mundial exige uma abordagem coordenada para combater o tráfico de drogas através dos continentes", afirmou.

Grupo mantinha contato com Brasil e mais países na América do Sul

A partir de troca de informações, a Europol constatou que o grupo criminoso manteve contato direto com cartéis de droga no Brasil e em outros países sul-americanos que eram responsáveis pela preparação e carregamento de cocaína em containers marítimos. O destino: os principais portos europeus.

"A escala da importação de cocaína do Brasil para a Europa sob o seu controle e comando é enorme e mais de 52 toneladas de cocaína foram apreendidas pelas forças da lei durante a investigação", informou a agência.

Em abril de 2020, a Europol reuniu os países envolvidos, que desde então têm trabalhado para derrubar toda a rede. Além dos membros das polícias nacionais, oito agentes da Europol destacados para Portugal, Bélgica e Brasil para ajudar as autoridades nacionais. Os dois últimos suspeitos foram detidos nesta sexta-feira, em Dubai.

Já no Brasil, a PF teve entre os seus objetivos o sequestro de bens do tráfico avaliados em aproximadamente R$ 1 bilhão. Batizada de Enterprise, a ação ocorreu em 10 estados brasileiros. De acordo com a PF, foram alvos dos sequestros aeronaves, imóveis e veículos de luxo, com a expectativa de que novos bens sejam identificados.

Para a PF, a ação está sendo a maior da história do combate à lavagem de dinheiro, mas é apenas a primeira de uma onda de iniciativas e operações que devem surgir nos próximos meses como resultado da cooperação internacional.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL