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Jamil Chade

OMS pede que países não exijam comprovação de vacina para viagens

Primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, durante sessão do Parlamento em Londres -
Primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, durante sessão do Parlamento em Londres
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

15/01/2021 13h48

Resumo da notícia

  • Entidade também recomenda que autoridades ampliem o sequenciamento genético de amostras de vírus para identificar eventuais mutações
  • OMS pede que não se identifique as variantes a partir de nomes de nacionalidades e países

Diante da falta de vacinas contra a covid-19 pelo mundo, a OMS recomenda que governos não passem a exigir vacinação ou provas de imunidade para viagens internacionais. Para a entidade, medidas para barrar a entrada de pessoas de um país devem ser tomadas com base na ciência e conduzidas de forma transparente.

As recomendações fazem parte das conclusões da reunião de emergência da OMS que, nesta semana, foi convocada diante da explosão de novos casos pelo mundo e do surgimento de novas variantes do vírus.

"Dado que o impacto das vacinas na redução da transmissão ainda é desconhecido, e a disponibilidade atual de vacinas é muito limitada, o comitê recomendou que os países não exijam provas de vacinação dos viajantes que chegam", disse a OMS, em um comunicado.

De acordo com a OMS, não existem ainda provas suficientes de que a vacina impeça a transmissão. Portanto, uma pessoa mesmo imunizada poderia, ao viajar, transmitir a doença. O carnê de vacinação, portanto, seria inútil.

Rejeitar a existência de uma espécie de passaporte imunológico, porém, não significa que os viajantes possam ignorar o restante das recomendações dos governos, entre eles o isolamento, quarentena ao desembarcar e eventuais outros testes.

Outro aspecto considerado é a questão de barrar certas nacionalidades de realizar viagens, com base no surgimento de novas cepas do vírus.

"O comitê de emergência da OMS aconselhou os países a implementar medidas coordenadas e baseadas em evidências para viagens seguras e a compartilhar com a OMS as experiências e melhores práticas aprendidas", disse.

Nesta semana, o Reino Unido barrou a entrada de brasileiros, num esforço de evitar que variante da covid-19 identificada em brasileiros desembarque em seu território.

Para a OMS, medidas dessa natureza ainda precisam ser adotadas por um período específico de tempo, coerente com o eventual risco.

Mutações: OMS pede ampliação de sequenciamento de vírus

Outro aspecto fundamental apontado pela OMS é a necessidade de que governos e autoridades realizem uma "expansão global do seqüenciamento genômico e compartilhamento de dados, juntamente com uma maior colaboração científica para tratar de incógnitas críticas".

A OMS ainda pediu que um protocolo seja estabelecido para nomear as diferentes variantes do vírus e que, assim, se evite nomes geográficos. O temor é de que isso aprofunde xenofobia contra grupos diferentes e abra crises políticas mais amplas.