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Jamil Chade

Por democracia, UE quer pacto mundial para frear "lado escuro" da Internet

Apoiadores de Donald Trump invadem o Capitólio; à esquerda, homem exibe na mão tatuagem com símbolo de jogo de videogame, em sua mão esquerda - Saul Loeb/AFP
Apoiadores de Donald Trump invadem o Capitólio; à esquerda, homem exibe na mão tatuagem com símbolo de jogo de videogame, em sua mão esquerda Imagem: Saul Loeb/AFP
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

26/01/2021 07h43

A Comissão Europeia indica que quer costurar com o governo dos EUA e outros parceiros pelo mundo um pacote de regras para a Internet, com o objetivo de defender a democracia e direitos humanos.

O anúncio foi feito nesta terça-feira pela presidente da Comissão, a Ursula von der Leyen. Num discurso no Fórum Econômico Mundial, que ocorre de forma virtual neste ano, a alemã deixou claro que sua iniciativa é uma consequência direta das cenas que o mundo presenciou diante da invasão do Capitólio, nos EUA no começo de janeiro.

"Vimos o lado escuro do mundo digital", disse. "O que ocorreu no Capitólio foi um choque. Sempre dissemos que a democracia é parte de nosso código genético. Mas precisamos alimentar todos os dias e defender as instituições da ataques de fake news e ódio", defendeu.

"Descobrimos que é um passo curto entre teorias de conspiração e a morte de um policial", alertou, numa referência a uma das pessoas que morreram no dia 6 de janeiro em Washington.

Segundo ela, o mundo digital "tem impacto, não apenas na questão da concorrência, mas também para a democracia, segurança e na qualidade de informação", disse.

Para a europeia, chegou o momento de os governos adotarem medidas para lidar com essa realidade. "Precisamos conter esse poder imenso das plataformas online. Queremos que os valores offline sejam defendidos online", defendeu. "O que é ilegal offline deve ser ilegal online", insistiu.

Para isso, ela propõe que governos estabeleçam um acordo mundial de regras baseadas em direitos humanos e proteção de privacidade.

"As plataformas precisam ser transparentes sobre como algarismo funcionam", disse. "Democracia não pode depender de computadores", insistiu.

Empresas como Twitter não pode decidir sozinhas quem tem acesso às redes sociais

Para ela, as gigantes do mundo online precisam ter responsabilidades sobre como "removem e promovem conteúdo".

Von der Leyen, porém, deixou claro que é contra deixar às empresas a decisão de quem deve ou não usar as redes sociais.

"Por mais tentador que fosse Twitter fechar a conta de Donald Trump, isso não pode ser só uma decisão de empresas. Precisamos de leis", defendeu. Para ela, esse será um dos principais aspectos para a defesa da democracia nos próximos anos.