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Jamil Chade

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Agência europeia acusa Rússia de promover fake news para defender Sputnik V

Lote de Sputnik V - Reprodução/Divulgação
Lote de Sputnik V Imagem: Reprodução/Divulgação
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

28/04/2021 17h33

Resumo da notícia

  • Denúncia ocorre na mesma semana em que Anvisa se recusou a liberar importação da vacina russa e foi acusada de "mentir"
  • Segundo europeus, a estratégia de Moscou é a de minar a credibilidade de agências reguladoras no Ocidente e acusar o processo de ser político
  • Esses foram exatamente o argumento usado por Moscou para se defender contra a decisão da Anvisa

Um informe preparado por um órgão da UE acusa a Rússia de promover desinformação contra agências regulatórias do Ocidente, minando a credibilidade sobre as vacinas do resto do mundo, como maneira de defender a Sputnik V, imunizante desenvolvido por Moscou.

No documento publicado nesta quarta-feira e elaborado pelo serviço de comunicação estratégica do bloco que serve para monitorar a desinformação sobre a pandemia, a UE faz duras acusações contra os russos. Moscou, nas redes sociais, rejeitou a conclusão do informe. Na semana passada, alegações parecidas foram feitas contra o Kremlin por parte dos EUA.

Nesta semana, a Anvisa não liberou a importação da vacina russa e foi acusada por Moscou de "mentir" e de adotar uma postura "política". A reação dos russos diante da decisão brasileira seguiu a linha que a UE denuncia em seu informe. Denúncias da mesma natureza ainda são feitas contra os chineses, ainda que o detalhamento da suposta operação russa seja maior e envolvendo ainda a imprensa controlada pelo Kremlin.

"Desde o início de 2021, mais de 100 novos exemplos de alegações de desinformação pró-Kremlin sobre vacinação foram adicionados ao banco de dados da EUvsDisinfo", destaca Bruxelas, e referindo ao banco de dados montado pelas autoridades para mapear a desinformação.

"Durante dezembro de 2020 e o primeiro trimestre de 2021, a campanha russa para promover a vacina Sputnik V se acelerou e se desenvolveu para uma abordagem governamental, incluindo autoridades estatais, empresas estatais e meios de comunicação de massa estatais em intervenções quase diárias", alertou.

"As autoridades russas não apenas promovem a vacina Sputnik V, mas também se envolvem em mensagens antagônicas, usando desinformação para acusar o Ocidente e a UE de sabotar a vacina russa", denuncia.

"Neste contexto, os meios de comunicação pró-Kremlin, incluindo a conta oficial do Sputnik V no Twitter, procuraram minar a confiança pública na Agência Europeia de Medicamentos e lançaram dúvidas sobre seus procedimentos e imparcialidade política", destaca a UE.

"Ao semear desconfiança na Agência Européia de Medicamentos, os agentes de desinformação pró-Kremlin visam minar e fragmentar a abordagem europeia de garantir o fornecimento de vacinas", alega o documento.

Um dos focos dos russos, segundo o informe, é o de acusar a agência reguladora de "atrasar deliberadamente a revisão da vacina Sputnik V e de preconceitos políticos".

"A mídia pró-Kremlin tentou semear confusão sobre o momento da apresentação do pedido oficial para uma revisão contínua da vacina Sputnik V junto à Agência Europeia de Medicamentos", diz.

Os meios pró-Kremlin também acusaram a UE de "preconceitos políticos contra a vacina de fabricação russa".

"O relato oficial no Twitter do Sputnik V combina a propaganda da vacina de fabricação russa com a amplificação de narrativas de desinformação pró-Kremlin sobre uma suposta tendência ocidental contra a vacina russa e, mais especificamente, políticos ocidentais conspirando contra a Rússia", diz.

"A narrativa tem se chocado com os políticos europeus e a mídia sempre que questões sobre o desenvolvimento e os testes do Sputnik V foram levantadas, e fez ameaças implícitas de que o Sputnik V poderia ser retirado do processo de aprovação do EMA", disse. Esse foi o tom usado também contra a Anvisa, nos últimos dias.